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quinta-feira, 12 de julho de 2012

Dionísio, insuficiência hepática e Festiqueijo

(Esse texto trata de assuntos locais)
Visite Carlos Barbosa e confira o Festiqueijo 2012 (mas, por gentileza, evite regurgitar nas vias públicas)

Andam dizendo que falo mal de nossa festa-mor, o Festiqueijo, por causa de um ou outro texto que você pode conferir aqui e aqui, mas, na verdade, apenas desclassifico, a meu modo, essa nossa mania de trocar os nomes das coisas. Repito que não há nada de errado com dionisíacos e bacanais, desde que sejam chamados de dionisíacos e bacanais. Não tente chamar de festa familiar uma encenação de orgia. Não tente chamar de degustação uma beberragem. E tudo estará bem.

O nome que damos às coisas é, ainda, mais importante que a coisa em si. Duvida? Repare que as palavras, todas elas, são carregadas de magia. No mito da criação, Deus criou as coisas através das palavras. Através de semelhante processo mágico nós também criamos e modificamos muitas coisas.

Se andar trôpego na praça da matriz (devido ao abuso de álcool no fim de semana) é tido como uma afronta aos bons costumes, o mesmo é permitido e legitimado através da instituição festiva denominada Festiqueijo. Ou seja: criamos um tempo e um espaço para o exagero.

Estou exagerando? Talvez. O fato é que olhamos com nojo para aquele mendigo que dorme no banco da rodoviária abraçado a uma garrafa de cachaça, mas, no dia seguinte, nos divertimos vendo nossos pares sendo carregados para a ambulância que presta serviços de "reposição de glicose" aos fundos do Salão Paroquial, próximo ao portão de saída do Festiqueijo (por falar nisso, fico me perguntado quantos adolescentes são atendidos dessa forma, à margem do sistema, depois de um porre no Festiqueijo. Tomara que eu esteja enganado quanto a isso...). Em suma, muito do que não é moralmente aceito na maior parte do ano e na maioria dos espaços públicos ou privados, tem a possibilidade de ser temporariamente permitido durante esse tempo festivo, nesse espaço específico.

Várias vezes me disseram que "frango é frango e palmito é palmito" nessa questão de relacionar o uso do álcool com uma festa local. De fato, não dá para generalizar (obviamente). Eu nunca saí da festa de ambulância, tampouco a maioria dos que conheço saíram. Mas não há nada mais divertido do que sentar-se ali por perto e contar quantas vezes a ambulância sobe e desce fazendo o trajeto salão-hospital-salão nos dias mais movimentados da festa. É hilário.

E, é claro, é culpa das pessoas que exageram (dizem), não da festa. Ok. Mas ainda prefiro entender que não é uma questão de "achar culpados" (de novo o moralismo). Prefiro entender que isso é obra de Baco, de Dionísio, que, como divindades que são, reconhecem uma homenagem quando veem uma e nos dão a honra de sua presença. Mas nós, por outro lado, não somos bons anfitriões, uma vez que não reconhecemos publicamente nossos principais convidados. Ainda nos escondemos atrás de inocentes vaquinhas coloridas que, se por um lado enfeitam a cidade, por outro mostram o quanto somos infantis quando o assunto é assumir que as coisas que gostamos são as mesmas que condenamos nos outros.


Em resumo: o Festiqueijo não é um sucesso por causa da "alta" gastronomia que oferece, mas por proporcionar um tempo e um espaço para o exagero.

Visite o Festiqueijo (se puder, porque isso aqui não é pra qualquer um) e divirta-se!

Se beber (sic), não dirija...







quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Aniversário de sete mil anos da melhor cidade do mundo

Parabéns!

Parabéns, cidadinha circense, pelo mais do mesmo de sempre, que muito tem contribuído para o desenvolvimento da nossa apeculiar cultura de homens-carro movidos a álcool e minissaias. 
 
Parabéns, cidadinha circense, pelas falanges e horas amputadas por tornos e prensas em favor do diabo. 

Cidadinha querida que me deu ao mundo, obrigado por tudo - pão e trabalho.  (Ó trabalho! Sagrado trabalho! Com as facas que eu mesmo afiei, arrancou-me os olhos que (o que foram eles, janelas da alma!) jogados no lixo das vitrines em Full-HD, fulminam agora meus pensamentos com ânsias de pulsos cortados - cordão umbilical da morte.) Parabéns, cidadinha circense-nonsense - que é tão virtuosa, mas (sobretudo) dolorosa! Parabéns! Avante! Estamos no caminho certo que Deus prometeu numa manhã calma de domingo com maçãs e vizinhas e pecados. Avante! O passado é logo ali (e não olhe para os lados)!






sexta-feira, 2 de setembro de 2011

A institucionalização da demagogia

Quem acompanha este humilde blogue já deve ter observado que o objetivo do Macaco Escrevedor não é falar sobre política, necessariamente. Esse espaço não é um sítio de propaganda ou publicidade de qualquer coisa (pelo menos não conscientemente). É um espaço onde procuro compartilhar com amigos algumas parcas experiências literárias e algumas opiniões pessoais sobre um ou outro assunto, tudo dentro do espírito despretensioso e consciente de um personagem símio que sabe que o universo não mudará um átomo sequer de lugar independentemente do que aqui seja escrito, lido, comentado ou compartilhado. Mesmo assim, porém, não pude resistir e deixar de transmitir as minhas impressões sobre os últimos acontecimentos de Carlos Barbosa, desta vez, especificamente político-partidários. Os leitores que não veem atrativo nesse tipo de texto, se quiserem, podem pular daqui para o próximo site. Estarão desculpados. Aos desocupados que optarem pela aventura, é necessário esclarecer que trata-se de um assunto local, que certamente soará estranho e incompreensível ao leitor fora do contexto barbosense das últimas semanas (nossa, parece que eu tenho muitos leitores). Mesmo assim, aos que optarem por prosseguir, dedico os versos do poeta vermelho: “sigam-me os bons!”.

Há alguns dias a imprensa local decretou que Carlos Barbosa estava passando por um momento histórico (a ampliação - sem aumento de custos - do Legislativo). Também foi decretado que 90% da população era contrária a esse acréscimo no número de vereadores (com redução de salário, repito, de modo a não ferir nosso sagrado hábito de não gastar dinheiro, do povo, porque, dizem, algumas empresas nem IPTU pagam) com base numa pesquisa feita com 30 pessoas (pesquisa mui científica, por sinal, que parece ter tido a pretensão de substituir o polêmico plebiscito que fora recusado noutros tempos). Reparem que, mesmo assim, eu não questiono o resultado da pesquisa. É muito provável que esteja próximo da realidade, embora não defina o quanto essa questão seja considerada mais ou menos importante que outras. Mesmo assim, o que chama a atenção é a forma como dados subjetivos se transformam em realidade objetiva. Foi decretado que essa era uma questão vital. Assim como foi decretado que um movimento (aquele que passou no Jornal do Almoço) encabeçado por pessoas, dentre as quais algumas filiadas a partidos específicos, é um movimento apartidário (reparem, outra vez, que não me refiro à parcela da população que aderiu ao movimento, se bem que boa parte dela também é partidária, ou simpatizante, participante de grupos de juventude de partidos, etc., o que não quer dizer que acho errado participar da política partidária - errado é estar filiado e esconder isso das pessoas). Foi decretado que o movimento era a voz do povo quando na verdade, o movimento e seus apoiadores políticos ou financeiros (ou ambos, não sei) apropriaram-se de uma informação do senso comum (e compreensível), que preza pela redução sistemática do aparato político, para iniciar uma campanha eleitoral antes mesmo de definidas as coligações. Reparem, mais uma vez, que isso não significa que o movimento não seja legítimo, no sentido de promover as mobilizações que quiser em defesa dos interesses que quiser (que coincidentemente são interesses do “povo”, como dizem, mas que só agora, providencialmente, vieram à tona, deixando passar outros momentos possivelmente tão desencadeadores de “indignação popular” quanto este) - significa apenas que o movimento não é tão “apartidário” como ele próprio se desenhou e quanto gostaríamos que fosse. Prova disso foi a sessão de quarta-feira, 31, que contou com a presença do "povo", sim, mas também com a presença maciva dos chamados CCs e FGs, filiados, simpatizantes e eleitores dos vereadores decretados “favoritos”. Quem esteve lá viu o “povo” aplaudir entusiasmado o vereador Rafael Dalcin quando o mesmo, num momento de audácia poética, construiu uma metáfora aproximando a ampliação do Legislativo (sem aumento de custos, insisto) com a imagem de uma família que, para receber duas pessoas a mais, precisa comprar panelas maiores (uma metáfora que eu considero ridícula e totalmente inapropriada para a complexidade do tema e dos interesses em questão, com todo respeito ao vereador Rafael e seus eleitores) enquanto os outros dois vereadores (também contrários à proposta) mal foram ouvidos, embora tenham oferecido falas tão ou mais consistentes do que aquela.
Enquanto isso, num passeio pelo Facebook, verifiquei que chovia declarações de alguns dos idealizadores do Movimento a Voz do Povo dizendo que “no ano que vem eu sei em quem não votar”. Tais afirmações, nesse contexto, quando ditas por pessoas sem vínculos partidários, me deixa feliz, pois, ao menos, aquela pessoa parece que decidiu acompanhar a vida política do seu município (mesmo que de forma primitiva, já que é infantil escolher em quem votar ou não baseado apenas em UMA questão). Mas quando esse propagandeamento (“agora eu sei em quem não votar”, por exemplo) sai da boca de uma pessoa filiada (que justamente por estar filiada sempre soube em quem não votar, pressuponho) e que, além disso, é um dos responsáveis pelo tal “movimento apartidário” fica mais do que claro, para mim, que a intenção vai muito além de se manifestar contra essa querela de 9 ou 11 vereadores (que não vai aumentar os custos, falei de novo, e que teoricamente poderia ampliar a precária força do nosso Legislativo que, normalmente, é visto como um poder que deve subordinar-se ao Executivo, embora esse seja um assunto à parte do que eu quero expor aqui).
Considero que havia barbosenses que estiveram lá desvinculados de funções públicas e partidos, e respeito, inclusive, os partidários que estiveram presentes e que não escondem de ninguém a que vieram e a quem apoiam (ao contrário do que acontecia nos “pseudo-debates” no meio eletrônico, onde a pessoa que declarava sua posição contrária e a defendia com argumentos, ou que simplesmente apontasse o vínculo partidário de algum dos organizadores do movimento era frequentemente excluída da lista de “amigos” do movimento e o tópico em questão providencialmente deletado). Por tudo isso deixo a questão: O movimento (não as pessoas - o movimento) que aplaudia o vereador Dalcin a cada mexida de bunda na cadeira, mas mal dava ouvidos aos demais, e que fazia questão de vaiar o Andrade, somente o Andrade, era apartidário?
Quero aproveitar a oportunidade para exercitar minha mediunidade. Posso prever que, nesse sábado, para os outros 24 mil barbosenses que não puderam, não conseguiram ou não quiseram acompanhar o decretado “momento histórico” haverá um prato feito preparado pela nossa imprensa decretando que “o povo deixou de lado as convicções políticas e se fez presente”, decretando que “os vereadores foram insensíveis ao gritos de dor da população”. Que se fizeram presentes jovens, crianças, aposentados, professores e metalúrgicos (esses últimos nem preciso dizer com que objetivo seriam citados). Será decretado que toda a parcela consciente da população estava lá e que as únicas pessoas com vínculo político participando da manifestação eram os favoráveis à ampliação (que serão descritos como tolos ou comprados, provavelmente).
Tenho certeza que muita gente vai dizer “eu estava lá e não sou CC nem filiado”, ou “eu ganho FG mas isso não me impede de ter minha opinião”. Parabéns, então (se não for mentira, como também já aconteceu). Parabéns e volte sempre à Câmara. Parabéns e não cometa o erro de avaliar seu candidato em 2012 apenas por uma noite de empulhação e de provocações pessoais, aquelas às escondidas, que só se faz na segurança da "multidão". Parabéns e preste atenção em quem apoiou esse movimento. Preste atenção em quem será sempre vaiado pelo movimento. Acompanhe o processo daqui para frente e tente descobrir a quem o movimento serviu (além do "povo", sim), mas a quem ele serve e servirá daqui por diante debaixo do pretexto de “dar voz à população amordaçada”, como se ninguém estivesse ciente do que a população em geral pensa sobre política (mas sobretudo do que outras categorias pensam sobre política). Não tenho dúvidas do que The Movement atira num alvo para acertar em outro.
Só agora entendo o significado da expressão “em política vale tudo” (e eu pensando que falavam de mortes encomendadas, como acontece às vezes em alguns estados, nunca aqui, obviamente). Mas nunca imaginei que o “vale tudo” seria desse jeito, o que mostra o quanto eu sou aventureiro nesse assunto.
Por falar em vale tudo, assistir àquela mulher (é melhor eu não adjetivá-la) dizendo que não vale a pena aumentar o número de vereadores porque “são só mais dois pra roubar o dinheiro do povo” foi quase mais trash do que o dia em que eu procurei 2 Girls 1 Cup no Google (trash como a RBS, que não perde a chance de reduzir assuntos complexos a uma frase burra e de fácil assimilação e repetição). Não vou falar mais nada, só deixar registrado que me intrigou muito a RBS dedicando espaço da programação para um grupo “apartidário” que coletou mil assinaturas que, por falar nisso, deveriam passar de duas mil, no mínimo, já que o povo estaria tão ferido e revoltado como foi decretado. A RBS poderia poupar seu público de assistir a uma cena tão parca como aquela, no entanto, gravou e levou ao ar a “opinião” mais tosca que eu ouvi até agora ao longo dessa discussão. Essa postura imbecilizante da emissora sempre me faz ter a impressão de que há um objetivo claro por trás dessas “notícias”, mas, como diria o De Assis, esse assunto é galho pra outro macaco. Ou para outra sexta-feira.
Moral da história:
1) as palavras não servem para nada (ou para pouca coisa) uma vez que tenho certeza que pouca gente vai entender realmente o que eu pretendi expressar (isso já foi analisado aqui);
2) a história do mundo se faz por meio de decretos, onde um evento qualquer, testemunhado por uma centena de pessoas é (será) retransmitido para o mundo com o tom e as cores que o transmissor quiser dar, junto com o decreto do que aconteceu, que, via de regra, será reduzido a uma narrativa simplista dos fatos, pra não dizer burra;
3) a campanha eleitoral (ou contra-campanha, ou algo parecido) em Carlos Barbosa começou cedo, antes mesmo da definição das alianças partidárias, tendo como braço direito de um grupo político um movimento que já foi decretado apartidário, e que (já posso prever) estará sempre promovendo manifestações quando o assunto interessar ao povo a algum grupo político específico, o que já está dando mostras de acontecer;
4) em 2012 boa parte do debate eleitoral (senão a principal) irá gravitar em torno da ampliação do Legislativo, mas não pelo viés econômico, que diz que a população foi prejudicada (porque não foi), mas pela lógica maniqueísta que resume tudo a um jogo de mocinho e bandido, em que esses últimos serão os que não ouviram a “vontade do povo”, de modo que, novamente, toda a complexidade do jogo político e seus mecanismos de disputa de poder (que é o que se chama política, afinal) não estarão, como sempre, ao alcance da apreciação do sempre bajulado "povo" que, antes de mais nada, dadas as regras do jogo, é tido pela sua função (nesse instante) dentro do sistema: a de eleitor - cuja vontade é a mesma vontade de outros partidos, mas defendida por estes por motivos bem diferentes, e devidamente afastados do debate; mandando assim pelo ralo todo o conjunto dos trabalhos no Legislativo desenvolvidos ao longo de quatro anos, resumindo tudo a uma única e simples tarefa: lembrar de quem, como foi decretado, não merece mais ser vereador. Uma simplificação muito adequada para conquistar o carinho de um eleitorado distante que, talvez, antes da última quarta-feira, nunca havia colocado os pés na Câmara. E ainda não colocou.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Vaquinhas alcoolizadas

Algumas das vaquinhas que enfeitaram a última edição do Festiqueijo foram encontradas completamente alcoolizadas e nuas na rótula da Santa Clara. 

Testemunhas afirmaram que não foi a forte ventania que as berrubou (como até então se pensava), mas doses cavalares de moscatel bebido direto da garrafa
 
As vaquinhas foram encaminhadas ao pronto-socorro e agora passam bem.

"Nós prometemos que no ano que vem vamos beber menos. Mas nosso porre tem explicação: só trouxeram vacas, caramba! Passamos todo o Festiqueijo sem a companhia de nenhum touro. Assim não dá, não teve outra saída senão fazer uma comemoração à moda grega com minhas amigas..." desabafou uma das vacas.





segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Festiqueijo 2011 - eu estive lá

Não adianta. Creio que nada mudará minha opinião sobre essa festa (a menos que mudarem o nome dela para Festiporre ou algo parecido).

Falar de todo o resto é mais do mesmo

Por mais que os organizadores tenham se empenhado em trazer novidades, em acrescentar algo novo à festa, nada mudou em essência. E é uma pena que seja aplicado tanto empenho e tanta dedicação num festival como esse, que pretende ser uma coisa, mas na verdade é outra..
Tudo bem, tenho que admitir: milhares de pessoas vêm a Carlos Barbosa no Festiqueijo. E isso pode ser bom.
Milhares de pessoas desembarcam dos ônibus em frente ao calçadão, entram no Salão Paroquial pela porta da frente e saem pela porta dos fundos, onde o ônibus que as levará de volta está esperando. Algumas passam pelo Varejão e pela Feira da ACI. As poucas pessoas que circulam além do calçadão são aquelas que se perderam e não conseguiram achar a saída da cidade. O que essas pessoas realmente conheceram de Carlos Barbosa? O Salão Paroquial? O Varejo da Tramontina? O nome da Rainha?
Bom... isso deve ser o bastante. E o pessoal da feira da ACI deve ter um incremento nas vendas (do contrário não estariam lá). Isso é bom. Mas o preço que se paga...
O preço que se paga” a que me refiro não é só o valor monetário. É o preço de se criar uma cultura de fantasmas. De mitos. De celebração do nada.
Pessoas vivem me dizendo que o Festiqueijo traz visibilidade à cidade. Pode até ser (assim como a porra do Motocross). Mas a pergunta que eu sempre faço é: quanta? Quanta visibilidade? Números... mas não somente o número do público pagante e de garrafas consumidas. Quero o número de quantas pessoas realmente investiram em Carlos Barbosa por causa do Festiqueijo. Quero saber quanto essas pessoas realmente investiram. Quantos investidores o Motocross e o Festiqueijo nos troxeram? Quais? Quem são? Quanta renda geraram? Quantos empregos? Quais benefícios? Onde? Por quanto tempo? Se não é posível gerar ao menos alguns dados estatísticos sobre isso, também não é possível tratar a festa como uma religião e acreditar cegamente que ela trará benefícios que não podem ser mensurados. Em contra partida, posso assegurar que existem números bem concretos sobre os resultados que um município obtém ao compactuar com uma “cultura de festa e álcool” como temos em Barbosa. Os Bombeiros Voluntários que o digam. Só eles sabem quantos jovens são conduzidos ao hospital semanalmente beirando o coma-alcoólico. Achamos engraçado.

Gostaria de saber o que realmente fica na memória dos visitantes, além da lembrança de um porre homérico e da foto com a vaquinha

Eu fico indignado! Tenho, no Facebook, amigos de Bento Gonçalves, Caxias do Sul, Porto Alegre, da p*ta que o pariu, enfim. Estes amigos tem muitos outros e (quem conhece o facebook sabe do que estou falando) é possível acompanhar os diálogos e os comentários de muita gente que esteve aqui – mas só vejo fotos de (1) gente bêbada, (2) gente comentando sobre a ressaca fenomenal que está enfrentando, (3) gente falando em voltar no ano que vem para “encher a cara de novo” e (4) surpresa: gente dizendo que não gostou. Não vi ninguém elogiando a gastronomia (eles elogiam o fato de poder comer à vontade). Não vi ninguém elogiando os vinhos (elogia-se o fato de beber à vontade).
Portanto: Dedustação de vinhos no Festiqueijo – mito. Um que outro apreciador de vinhos até poderá haver. Mas estive lá no dia 30 e não vi gente fina degustando vinhos. Vi gente fina alterada pelo álcool, isso sim. Aliás, Carlos Barbosa produz vinho?... Deixa pra lá...
Degustar queijos - mito. Eu gosto de queijos. Fui ao Festiqueijo e não consegui degustar merda nenhuma. Não havia a menor condição. Deslocar-se de um estande a outro era uma verdadeira epopeia.
Gastronomia: bom, se você chama  coxa de galinha, pastel de queijo, pizza e polentinha com queijo de gastronomia, e roda 1200 Km até Carlos Barbosa para sentir o prazer de apreciar essas iguarias... tudo bem.
Saí de lá com a roupa imunda. Perdi a conta de quantas pessoas derramaram bebida na minha camisa – não por o salão estar lotado, mas por já terem perdido os reflexos necessários para andar em linha reta segurando um copo.

Hipocrisia tem limites

Passei três semanas ouvindo aquele discursinho idealista de que nossa festa é um festival gastronômico, uma festa para a família, uma festa para conhecer a cultura local, para encontrar velhos amigos, para fazer novos amigos, etc. Não vi nada disso. Encontrei dois amigos, conheci alguns que poderão ser amigos no futuro (mas isso também dá pra fazer na zona). A única coisa que consegui fazer em paz foi tomar o cafezinho perto da porta da saída. Lá estava tranquilo (leia-se: lá ninguém caia em cima de mim). E o café estava bom.
Não sou puritano. Não tenho nada contra, swing, orgias, bacanais e eventual uso de determinadas substâncias entorpecentes... Mas me revolto com essa aura de glória com que se costuma cobrir esse festival que, na verdade, não passa de uma festa a Baco impulsionada por certo instinto de manada e algum possível oportunismo.
Se mudarem o nome do festival para Festiporre, então tudo bem. Se tiver que tirar os sapatos e as roupas antes de entrar, melhor ainda. Todos pelados bebendo pra valer e fazendo tudo aquilo que a sociedade normalmente não permite num evento barbosense chamado Festiporre. Pelos menos seria algo mais sincero.
Se você leu até aqui talvez goste do texto sobre o Festiqueijo 2010. Ele ainda se aplica a esse de 2011 e aposto minhas unhas dos pés que ele se manterá atual por um bom tempo.



sexta-feira, 29 de julho de 2011

Vereadores: nove ou onze?

O voz do povo é a voz de Deus!
Sistema preferido pelo barbosense:

Sistema ideal para poupar dinheiro

Vamos instaurar uma monarquia absolutista!
"Economizo, logo existo!"


Eu ri...


quarta-feira, 22 de junho de 2011

Bom feriado a todos!

Saudações, amigos leitores deste insano sítio, o famigerado Macaco Escrevedor.

Antes de mais nada, faz-se necessário esclarecer que o autor deste blog, quando sentou-se em frente ao computador, não fazia a menor ideia sobre o que escrever. Mas a proximidade do chamado “feriadão” fez com que surgisse a necessidade(?) de enfeitar a Internet e brindar os queridos leitores com algumas linhas, por banais que fossem. Afinal, há gosto para tudo.

Reparem, então, que acabei de escrever a palavra “banal”, e a primeira coisa que me veio à mente foi o motivo do feriado que se aproxima. Mas creio que já falei o bastante sobre feriados religiosos. Ou talvez não. Não sei.

Então vamos falar sobre coisas boas. Falaremos sobre a segunda-feira.

A segunda-feira, na minha humilde (e irrelevante) opinião é o dia mais feliz da semana. Ela marca o final de uma série de imbecilidades que somos mais ou menos obrigados a engolir durante o sábado e o domingo. A partir desse dia, podemos voltar a circular tranquilamente pelas ruas centrais da cidade sem o perigo de atropelar pessoas alcoolizadas. Também cessam os infernais tuncs-tuncs-tuncs que costumam sair dos porta-malas de alguns carros cujos proprietários talvez seja melhor não adjetivarmos aqui.

Na segunda-feira, a polícia não costuma passar a 100 km/h atrás sabe-se lá de quem. Também não costumamos ouvir fogos de artifício neste dia, tampouco pastores bradando nas igrejas (se bem que, por aqui, eles fazem seus tumultos nas terças). Reparem que as pessoas até diminuem o uso das buzinas dos automóveis, chegando quase a existir um princípio de gentileza no trânsito. Mas é só um princípio. Que ninguém pense que nós, motoristas barbosenses, somos mais ou menos gentis do que os outros só porque paramos nas faixas de segurança (na verdade, a maioria de nós só para o carro para que os pedestres possam vê-lo melhor).

Repare que, depois da segunda-feira, a medida em que a semana vai passando, o nível de bestialidade das pessoas (não de todas, é óbvio) vai aumentando, de forma que a sexta-feira chega a ser um dia perigoso. Tome cuidado com trânsito (até as bicicletas transformam-se em máquinas assassinas), e jamais entre em discussão com alguém numa sexta-feira!

Adentrando o sábado à noite começamos a verificar altos índices de animalidade nas pessoas. Durante a madrugada podemos observar os níveis mais bestiais do comportamento, que dificilmente são observados nas outras noites, e que só são chamados de bestiais pela falta de outro qualificativo, uma vez que as bestas da natureza sentem-se ofendidas com tal comparação.

Os que sobrevivem à bebedeira do sábado transformam-se em verdadeiros demônios depois de acordarem às três da tarde de domingo. Os que não beberam até cair no sábado, provavelmente o farão no dia seguinte. E nem vou falar dos acidentes de trânsito porque (agora estou preocupado) estarei na estrada também.

Essas reflexões espontâneas (e propositalmente exageradas) me levam a acreditar que, na verdade, o chamado fim de semana não é propriamente o fim da semana, mas o início dela, de modo que, no restante da semana, as pessoas estão descansando das atividades do sábado e domingo enquanto pensam que trabalham. Chego a cogitar a hipótese de que o verdadeiro trabalho atribuído às pessoas (embora não saibamos por quem) é exatamente aquele executado de sexta a domingo. O outro é só fachada. Coisa do diabo.
 
Então, podemos concluir que nesse "feriadão" o trabalho será dobrado. Teremos dois dias a mais de tarefas e loucuras programadas, compromissos sociais e religiosos, rituais acasalatórios (com ou sem álcool), compromissos matrimoniais a cumprir e, como não poderia deixar de ser, os sobreviventes deverão, ainda, apresentar estômago para o Fantástico.

Qualquer leitor perceberá que o outro período também pode ser descrito com as mesmas palavras que descreveram o sábado e o domingo no início do texto: uma sucessão de imbecilidades que somos mais ou menos obrigados a engolir. Entretanto, sinto-me mais seguro na imbecilidade de uma mina de carvão de segunda a sexta do que na imbecilidade da maioria das pretensiosas “diversões” de fim de semana praticadas por boa parte dos exemplares da minha espécie. Nada como fugir para as colinas ou abrigar-se no porão (que é o meu caso).

Que nesse feriado de Corpus Christi,  os deuses imortais mantenham nossos corpos íntegros!

segunda-feira, 13 de junho de 2011

A boa e velha limpeza social - e a minha inocência

Limpeza social é um termo que pode parecer um tanto forte, exagerado, mas ainda é o melhor para designar certas coisas estranhas que volta e meia podem acontecer em qualquer cidade, principalmente aquelas com um maior potencial turístico.

Não é raro ver ou ouvir de pessoas importantes consideradas importantes, discursos que beiram a eugenia, com frases do tipo: "é um absurdo esses índios circulando na frente da minha loja", ou "por que ninguém leva esse mendigo embora?" e outras coisinhas do tipo. No meu trabalho, certa vez, tive que ouvir o seguinte: "no caso dos índios, quando têm crianças junto, é muito simples: é só levar pra rodoviária e botar dentro de um ônibus"... [som de inspiração profunda e expiração] [pausa] ...Olha, eu juro que faço força pra não citar o nome do(a) ilustríssimo(a) cidadão(a) que abriu a nobre boca para falar essa merda. Mas falou. Na verdade não cito o autor dessa sapientíssima colocação porque sou covarde mesmo (peso 54kg, sou de fraca compleição física, e se me processarem estou fudido, porque não tenho grana para um advogado).

Por isso, deixemos assim (ou "deixe estar" como se ouve na TV); não vamos falar sobre isso, até porque eu posso estar mentindo, não tenho provas, ninguém vai acreditar nessa merda e, com a sorte que tenho, é bem capaz de aquela atitude ("bota num ônibus e manda embora") ser considerada a atitude perfeita por maioria de votos. Então vamos fazer de conta que este é um texto de ficção (e é mesmo) que fala sobre as coisas estranhas que eu acho que acontecem na cidade de Charlie Barganha.

Isso mesmo, meu nome é Sidnei e moro na cidade de Charlie Barganha, pequena cidade do interior da República Federativa da Nova Noruega; um país maravilhoso, situado no continente Sul-Pampeano, onde "tudo é caro porém perfeito". A pobreza, aqui, não consegue procriar; e se chegou de fora, haverá de retornar. Assim canta o hino da cidade de Charlie Barganha.

Poderíamos fazer um poema épico.

Mas, voltando à realidade, às vezes fico preocupado. Olho pela janela às cinco e meia da tarde, quando há aquele congestionamento digno de "cidade grande", e penso em quantas daquelas pessoas podem ser coadjuvantes nessa ideologia de limpeza social. Depois, para tentar me acalmar, procuro adivinhar o contrário: quantas daquelas pessoas podem estar preocupadas com essa questão. Descubro que não há contrários e finjo uma resposta agradável.

***

Quando, no futuro, todos estiverem trancados dentro de suas casas, digo, caixas de habitar (longe de índios e indigentes) relativamente "a salvo" uns dos outros, devidamente alienados e adestrados na arte de se comunicar através de grunhidos, alguém dirá que a culpa foi do Prozac. E de mais ninguém.

Fórmula estrutural da fluxetina
Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Fluoxetin_Structural_Formulae_of_both_enantiomers.png
Que bom que eu estou lendo Cem anos de solidão.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Aniversários versáteis

É bem verdade que falar de política do pão e circo em blogues já virou clichê, mas não consigo resistir. Sobretudo quando posso utilizar elementos da nossa cultura local como exemplo.

Aos fatos: no primeiro de maio, data em que tradicionalmente “homenageamos” a figura do trabalhador, aqui, nas colônias no Além-Tejo, algum marqueteiro esperto teve uma ideia brilhante: comemorar o aniversário de uma empresa. Só não sei se a ideia ocorreu há mais de cem anos (o que comprova a visão de futuro e o empreendedorismo nato de nossos antepassados) ou se foi num momento posterior à criação da empresa (o que comprova que nada acontece por acaso e que Deus está do nosso lado). Mas, seja por milagre, coincidência ou esperteza, em Carlos Barbosa, primeiro de maio é, antes de mais nada, aniversário da nossa Fantástica Fábrica de Panelas e, por extensão (e por ser inevitável), dia do trabalho. Do trabalho.

Na nossa terra, confundir trabalho com trabalhador é comum. Como um não existe sem o outro, nada melhor do que simplificar as coisas: eles bem que poderiam ser sinônimos. Mas deixemos os detalhes gramaticais de lado. Estávamos falando de pão e circo. No dia primeiro de maio vamos celebrar a chegada do pão.

Quanto ao circo, a ACBF já fez aniversário. Em abril. Não sei bem em que dia, mas sei que na festa de aníver da nossa “laranja mecânica” (Kubrick, perdoai-nos) teve bolo com velinhas, cover do Élvis e show de pagode. Uma festa de aniversário mais ou menos comum, com um aniversariante alaranjado. Há quem diga que alguns convidados também eram laranjas... Enfim, ruas com decoração laranja, meios-fios laranjas. O mundo é uma laranja (segundo Chapolin)...

Não tenho dúvidas que a paixão pelo trabalho e a paixão pelo futsal são frutos de um mesmo processo. Na verdade, nosso pão e nosso circo saem das mesmas mãos e, com a graça divina, caem em nossos pratos e lares. Mas, diferente da Roma Antiga, no nosso caso, não é o governo o principal fornecedor desses elementos fundamentais. Ou então, o governo está deixando de ser quem pensávamos que fosse. A ideia de sermos governados, de fato, não por representantes no Executivo ou Legislativo, mas por empresas, por presidentes vitalícios escondidos atrás de suas instituições gloriosas, ou por grandes interesses de meia dúzia de famiglie tradicionais não me parece absurdo. Aliás, me parece bem coerente.

Mas tenho que terminar esse texto e não estou muito feliz com ele. Sempre fico com a impressão de que os meus títulos prometem mais do que o texto dá. Mas, de qualquer forma, tenho que colocar um ponto final nesse textículo e cuidar dos meus testículos, afinal, barbosense que se prese deve amar suas panelas e suas laranjas. Incondicionalmente.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O maior porta-retratos do mundo

Lembro-me vagamente de histórias de índios que tinham medo de serem fotografados. Acreditavam que suas almas ficariam aprisionadas para sempre no interior da câmara ou no papel fotográfico. Eu tinha mais ou menos seis ou sete anos quando meu avô contava essas histórias.

É realmente excitante pensar na máquina fotográfica como sendo uma arapuca do diabo para pegar almas descuidadas. Na taba, a explicação mítica para a química incompreensível da fotografia talvez alimentasse longas noites de histórias contadas ao redor do fogo. Na taba e, também, aqui. Isso poderia explicar por que o céu parece ter cada vez menos estrelas: porque as almas, ao invés de irem para lá, ficam aprisionadas por aqui, em books, e-books, facebooks e outdoors. Enfim, enquanto criança, minha tendência era acreditar mais na explicação mítica da fotografia do que nas emulsões e cristais de prata da ciência. De qualquer forma, almas cativas sempre serão mais interessantes do que cristais de prata.

Mais tarde ouvi falar de um tal de Narciso (não me pergunte o que isso tem com fotografia, não faço ideia...), aquele que teria se apaixonado pela sua porópria imagem refletida na água e danou-se por causa disso. Então a magia da câmara fotográfica (ou câmera, como preferem os moderninhos) passou a oscilar entre uma armadilha demoníaca e uma bênção divina. Sim, porque se Narciso fosse barbosense e tivesse uma Sony, não teria se afogado. Talvez.

Nosso admirável mundo nos trouxe muito mais do que fotografia. Deu-nos câmeras digitais, Internet, televisão HD, etc. Poderíamos dizer que estamos, mais do que nunca,  na era da imagem. Podemos nos apaixonar por nossa própria imagem e compartilhar esse sentimento instantaneamente com uma enorme quantidade de amigos. Sem remorsos. E quando nossa imagem quase perfeita não nos for mais satisfatória, podemos nos apaixonar por uma espécie de reflexo de nós mesmos produzido em alta definição pelo discurso televisivo. É só escolher um ator, um personagem da novela, um herói do BBB, enfim, uma persona enlatada que talvez  seja parecida conosco; em que possamos amar nela aquilo que ela contém de nós.

O que estava demorando nesse texto:

Não é preciso dizer que os municípios da região serrana do Rio Grande do Sul não fazem parte do Brasil. Todos sabemos que estamos anos-luz a frente do restante do país. Tudo por aqui é mais avançado, evoluído. Todos os nossos problemas já foram resolvidos há mais de um século. Somos mais do que primeiro mundo. Somos O Mundo. Repito: Se Narciso fosse barbosense, não teria se afogado.

Por aqui nós já compreendemos tudo sobre tudo. Já aprendemos tudo sobre imagem, discurso televisivo, narcisismo, psicanálise, panelas de pressão, etc. Já superamos a “crise da família” (aliás, nunca tivemos tal crise) e, por isso mesmo, a TV saiu da sala de estar para superar a si mesma, redefinindo sua geografia suas funções. Basta chegar em Carlos Barbosa e reparar no enorme painel eletrônico instalado na entrada da cidade*. Nesse painel, entre um comercial de panelas e um de talheres, aparece a imagem de colaboradores operários da nossa Grande Fábrica de Panelas. Reza a lenda que todos os funcionários foram fotografados (querendo ou não) e que todos sorriram (querendo ou não); mas ainda não tive tempo para averiguar. Pode ser mentira.

Que isso sirva de exemplo para as outras empresas e os outros municípios. Nossa comunidade é a nossa sala de estar. Somos uma enorme família de milhares de pessoas e o papai Tramontina nos presenteou com um enorme Espelho de Narciso, protegido por grades e por leis estaduais (do contrário não poderia estar ali) e, principalmente, protegido por nós. Ninguém vai se afogar olhando para ele. Ninguém terá a sua alma aprisionada como acreditavam aqueles índios burros. Todos precisamos dele para saber quem somos e quanto valemos. Precisamos dele para nos amarmos e sermos amados.


* No meu fabuloso texto sobre o trevo de acesso a Carlos Barbosa esqueci de mencionar que ele contaria com programação local de TV a cabo.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Trevo de acesso - milagres da arte e da engenharia

O novíssimo trevo de acesso de Carlos Barbosa é, sem sombra de dúvida, a fusão perfeita entre a matemática e a poesia. Uma verdadeira obra de arte. Tentarei em breve postar fotos ou vídeos para que o leitor possa ter uma ideia mais clara das formas e características de tal prodígio da engenharia.

Claro que não sou engenheiro, por isso, não sou exatamente a pessoa mais qualificada para falar dos detalhes técnicos do trevo. Entretanto, minha experiência como motorista e usuário do Trevo me dá certa liberdade para avaliar alguns aspectos dessa refinada obra de engenharia (sim, agora existe um Trevo com letra maiúscula - apesar de não se tratar exatamente de um trevo...). Como um reles motorista (de carrinho popular antigo, mas tudo bem...) não pude deixar de me impressionar com a segurança que o novo Trevo de Acesso a Carlos Barbosa oferece aos turistas e usuários em geral. Todo o trajeto percorrido é iluminado  e sinalizado de forma perfeita, de modo que, mesmo à noite e com neblina, o usuário tem a mais absoluta certeza de estar dirigindo com segurança. Segurança total! Qualquer pessoa, mesmo semi-analfabeta, não terá quaisquer dificuldades para saber qual caminho tomar. O Caminhoneiro não terá qualquer dificuldade em encontrar os caminhos que levam às indústrias. O Turista jamais ficará em dúvida sobre como chegar ao Festiqueijo, ou à Maria-Fumaça, ou a qualquer um dos nossos incontáveis e indescritíveis pontos turísticos. Não há o menor desperdício de espaço ou de tempo, pois o trevo foi desenhado para oferecer o mais alto nível de excelência em logística. Cada palmo foi exaustivamente planejado para que o usuário pudesse sempre fazer o percurso mais curto, mais econômico e ecologicamente correto.

A tecnologia presente nessa obra é espetacular. Além do aparato de sinalização e iluminação  ultra moderno (que é controlado por quatro super-computafores NEC  SX-9), o trevo ainda conta com uma tecnologia  capaz de assumir o controle do carro assim que o usuário se aproxima da cidade, conduzindo o automóvel para onde o passageiro pretende ir. Por enquanto poucos carros estão equipados para usufruir dessa tecnologia, o que obriga os motoristas a utilizarem o trevo da maneira clássica (com as mãos no volante). Foi pensando no futuro que essa tecnologia foi introduzida, uma vez que, depois da duplicação da RS-470 (por volta de 2097) em conjunto com os progressos econômicos fomentados pelo governo de Aynda Cruzes, o carro pilotado pela rodovia será uma realidade em toda a República Sul-Riograndense.

Mas foi a sensibilidade artística do projetista do trevo o que mais me impressionou. Isso não é uma simples obra de engenharia rodoviária. É uma Obra de Arte. Um Poema Rodoivário. Eu pude sentir isso na primeira vez em que transitei por ele. E ainda sinto. É poesia pura. Não se explica poesia, mas vou tentar explicar essa obra de arte. 

Primeiro devemos lembrar que o engenheiro (digo, poeta) teve o impulso artístico de (re)criar a realidade na mente do motorista-leitor-espectador que por ali passa, através dos recursos semióticos disponíveis, porque, para o poeta, a vida não basta.  É só olharmos o exemplo do final do trevo (no sentido São Vendelino - Garibaldi). Nesse ponto, a pista estreita-se repentinamente, fazendo surgir diante do motorista-leitor-espectador uma linda, frágil e delicada... ponte. Essa ponte (poeticamente falando) nos diz algo sobre a fugacidade da vida, sobre a brevitude de nossa existência sobre o mundo. Numa hora estamos vivendo e, de repente, a vida cessa, e estamos nós a cruzar a ponte, a navegar com o Barqueiro Sombrio rumo ao além...

Se o motorista-leitor-espectador optar por visitar a estação da Maria-Fumaça (não aquela no Centro, mas aquela ali no Triângulo) o Poema Rodoviário o levará para um sinuoso e difícil acesso à direita. Ao transitar por esse acesso é impossível não lembrar da saga dos Imigrantes, pois o caminho estreito, a curva acentuada, a sensação de medo, o perigo,  a desorientação, tudo nos faz lembrar dos heroicos tempos da colonização italiana, das dificuldades da viagem para o Brasil, do trabalho árduo, das incansáveis horas de labuta para construir o mundo que Deus sonhou.

Depois, inevitavelmente, o turista (para sair da cidade e voltar para casa) é obrigado a passar pela rótula da Tramontina Cutelaria. Lá ele verá máquinas, empilhadeiras e caminhões circulando e transportando nossas riquezas. Com sorte poderá ver um ou outro Trabalhador na sua incansável luta para fugir da miséria moral que assombra o resto do Brasil. O turista terá a oportunidade de, novamente, refletir sobre o incansável labutar da nossa gente na construção de uma sociedade mais justa e mais humana.

Nos dias de neblina, transitar pelo Poema Rodoviário fará o motorista-leitor-espectador sentir-se literalmente no início da Criação. A escuridão total, o andar sem ver nada em frente  (apesar da total segurança) remete aos idos tempos bíblicos, quando só existia a escuridão e o Verbo. Então o Verbo diz: Faça-se a luz!! E eis que surgem, altivos e iluminados, a Torre, o Trabalhador de Aço e o outdoor da ACBF - maravilhas do progresso - tudo remetendo ao grande ato criador de Deus, o grande Supervisor, que criou o Homem, a mais bela, perfeita e trabalhadora das criaturas. O Homem, que deu nome aos animais. Que invetou o salame, a brítola e os talheres... Que inventou a mulher e o fumo de corda. Enfim, o Homem, que inventou a Arte para ver a si mesmo também como um Deus...

Explicar uma obra de arte é esvaziá-la, distorcê-la. Por isso vou encerrar minhas elocurbações acerca do nosso maior ponto turístico, o Trevo. Eis o Trevo, simplesmente. 

O futuro é nosso!

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Festiqueijo: vale cada centavo!

Para quem não conhece, o Festiqueijo é uma espécie de orgia alcoólica que acontece no salão paroquial de Carlos Barbosa todos os anos. É nossa festa maior, o maior festival gastronômico, etc, etc... Você puxa a carteira, saca uns cinquenta reais, pega o ingresso e entra. Depois você ganha uma tacinha para degustar vinhos (leia-se: encher a cara) e um garfinho para espetar os queijos (ou traseiro das meninas, conforme você estiver mais ou menos bêbado). Você passa o tempo inteiro circulando de estande em estande, enchendo o saco das meninas que estão trabalhando, rindo alto, degustando vinhos, queijos, salames e outras coisas estranhas que fariam o seu cardiologista chorar. Tudo isso ao som de música típica e rodeado de gente bonita e inteligente. 


Há quem ache o valor do ingresso um tanto amargo, mas se pararmos para pensar, onde poderíamos comer pastel, coxa de galinha e polenta frita (à maneira dos nossos ancestrais, de pé e sem o inconveniente dos talheres) por menos de cinquenta reais? E crostoli? Em que bar é possível encher o cu de trago pagando somente a entrada? Onde poderíamos ouvir a canção La bella polenta interpretada por quatorze bandas diferentes? Qual pizzaria da cidade oferece pizza de microondas por menos de cinquenta reais? Em que restaurante existe uma equipe de limpeza sorridente que vem correndo, pedindo desculpas e com-licenças para limpar a sujeira que alguém fez de propósito? E o melhor de tudo (para os solteiros): onde encontraríamos maior concentração de mulheres embriagadas por metro quadrado, prontinhas para serem encoxadas em meio a multidão?

Nosso festival é um verdadeiro banquete romano, onde a elite desfila sua glória e destila suas amarguras oriundas do incansável labor diário que enriquece e enobrece nossa gente. Nosso festival permite que nossa gastronomia seja apreciada em seu último estágio evolutivo, espalhada nas esquinas da cidade, porque ela é nobre demais para permanecer nos estômagos dos visitantes. Caminhe pelas calçadas e verá, a cada vinte metros, uma refeição que se recusou a sair de Carlos Barbosa. Nada pode ser mais gratificante para um cidadão do que o reconhecimento de sua gente e a valorização dos seus costumes!

É por esses e outros motivos que sou, sem dúvida alguma, um verdadeiro fã do Festiqueijo. No ano que vem podem cobrar R$ 200,00. Não é caro. Vale cada centavo. Em 2011 traga sua família, prepare seu tubo digestório e seu fígado, e venha viver momentos inesquecíveis!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Uma imagem vale mais que mil palavras...

 
Imagem: Jornal Contexto, 20/02/2010

Que fique claro: não estou acusando nenhum jornal e nenhum dos seus profissionais de atitude preconceituosa. Apenas estou utilizando a ilustração para fazer uma reflexão. Faço essa observação porque, como sabemos, não existe preconceito no Brasil.

Ocorre que, dia desses, li um artigo que falava sobre a enorme quantidade de peças publicitárias mostrando pessoas brancas num país que, segundo dados do IBGE, já é composto majoritariamente por negros e mestiços. Quando se fala em publicidade, entende-se que o público deve se identificar com as imagens, se eu não estiver enganado (que algum profissional da área me ilumine, ou não durmo essa noite). Enfim, o artigo falava das peças publicitárias, da esmagadora presença de brancos nas novelas da Rede Bobo (que são assistidas por uma maioria negra) e coisas assim. Ocorreu-me (deixando de lado as novelas) que na nossa região, negros e mestiços são, de fato, minoria. Somos predominantemente descendentes de imigrantes italianos, alemães, poloneses e blá, blá, blá (como nos vêm ensinando desde a terceira série). Portanto, nada mais lógico do que olhar para aqueles outdoors na 25 de setembro e deparar-se com a imagem da branquíssima modelo da propaganda de roupas íntimas e com a foto da bela equipe de atendentes das Lojas Lebes, cujos traços não deixam dúvidas: são barbosenses.

E a imagem do jornal? Simples: era preciso uma imagem para ilustrar a manchete, e o ilustrador é livre para desenhar o que quiser. Isso não quer dizer que ele seja preconceituoso (eu acho). Eu gosto de imaginar coisas: Talvez alguém tenha advertido, antes da publicação: "mas será que não terá algum xarope que vai achar racismo nisso aí?", e outro: "só se for um daqueles malucos que defendem as cotas nas universidades...", e mais outro: "má  che, má donde que questo é racismo, Madonna de Dio! Cuida que se tu desenhá um gringo ele vai te processá também há há, há, há...". E no fim, a imagem saiu, e mostra um negro, atrás das grades, aplicando um golpe pelo celular numa inocente mulher de olhos azuis.

Recentemente, uma professora iluminada disse que "ninguém é preconceituoso de propósito, porque ninguém é ignorante de propósito". Devemos ficar atentos, não para levantar o dedo e apontar: fulano é racista; mas para levantar a voz contra atitudes que paulatinamente vão construindo uma representação falsa da realidade. Atitudes que "criam" a própria realidade, o imaginário coletivo. Se as imagens não tivessem o poder de criar, na mente de quem as vê, determinada ideia ou conceito, toda forma de propaganda se resumiria em duas ou três palavras em Times New Roman, e não precisaríamos de outdoors imundos ou dos comerciais idiotas das Casas Bahia. Tampouco precisaríamos de ilustrações nas áginas dos jornais.

Sobre preconceito, Guacira Lopes Louro, no livro Um corpo estranho, diz que uma imagem pode não ser, necessariamente, preconceituosa; mas pode estar afiando as facas da intolerância. Hum... isso dá o que pensar.




segunda-feira, 12 de julho de 2010

Como parecer rico em Carlos Barbosa - dicas e truques

Depois de ler alguns parágrafos de alguns livros sobre "como atender bem os clientes" resolvi acreditar que também posso escrever um desses tratados e ficar rico. O público, claro, poderá preferir entender que se trata de uma brincadeira. Entretanto, reza a lenda que toda a brincadeira tem um fundo de seriedade. Não sei, mas segue um esboço do tratado. Ficaria mais ou menos assim:

Como parecer rico em Carlos Barbosa - dicas e truques:

Utilize o carro para absolutamente tudo o que for fazer fora de sua casa. Mesmo que o carro seja do seu pai, que o combustível seja pago pelo pai, assim como o seguro, o imposto e o DVD novinho que você acabou de instalar. Vá de carro, mesmo que seja para ir à padaria que está a vinte metros.

Quando for à padaria, nunca compre somente o pão. Saia do estabelecimento com, no mínimo três sacolas. E lembre-se de deixar algumas compras aparecendo por cima da sacola. Isso é chique. Jamais compre seus pãezinhos em estabelecimentos que forneçam sacolas feias.

Se não puder estacionar exatamente em frente à porta do estabelecimento, abandone o carro no meio da rua com o pisca-alerta ligado. Quanto mais caro for seu automóvel, maior o efeito produzido.

Jamais saia da vídeo-locadora com menos de oito filmes, mesmo que você só tenha tempo para assistir a um. Se houver uma fila razoável, lembre-se de pedir para a atendente um Godard. Mesmo que você não entenda porra nenhuma dos filmes dele, diga que você o ama.

Nos restaurantes, procure falar alto e gesticular bastante (certifique-se de não haver comida nos talheres antes de gesticular). Procure falar mal de quem está presente. Na hora de pagar a conta repita o valor anunciado de modo que todos saibam o quanto você gastou. Procure pagar com notas de cem ou cinquenta reais. Jamais saque da carteira notas de cinco ou dez reais (isso é coisa de boteco).

Evite que as pessoas o vejam comprando carteiras ou cintos daqueles vendedores ambulantes que vivem em frente à Santa Clara.

Economize uma grana durante o ano para ir ao Festiqueijo. Depois, fale mal do evento até não aguentar mais e, no ano seguinte, vá novamente.

Jamais viaje de ônibus (exceto se você for um aluno da UCS ou da Unissinos).

Assine a revista Veja e utilize os argumentos cientificamente comprovados da revista para falar mal do Lula. Somente do Lula. Se o presidente já for outra pessoa, continue falando mal do Lula.

Vá ao cabeleireiro toda a semana. Cabeleireiros que cobram menos do que R$ 25,00 para fazer qualquer coizinha são, na verdade, barbeiros. Barbeiro é coisa de velho pobre e aposentado. Evite.

Se você trabalha no escritório da Tramontina, lembre-se sempre de dar uma volta no Café Brasil depois do expediente, mas vá com aquela camisetinha azul-claro com a logomarca da empresa no peito (aquela que você está usando para trabalhar desde segunda-feira). Isso dá muito status, mesmo que você ganhe menos que muito peão da produção.

Lembre-se de ir ao café portando, além do uniforme, o crachá. Mas utilize-o pendurado no pescoço com uma fitinha azul. Prendê-lo no bolsinho da camisa com aquele prendedorzinho é coisa de plebeu.

Quando for às compras, leve consigo o seu filhinho e deixe-o colocar no carrinho tudo o que ele quiser. Se você não puder pagar, retire as coisas do carrinho sem que a criança perceba e abandone-as em qualquer prateleira.

Troque a cozinha de sua casa, no mínimo, a cada dois anos. E quando o fizer, coloque trocentas fotos da sua novíssima cozinha no Orkut.

Sorria sempre. Mesmo sem ter vontade. O sorriso forçado é até mais charmoso e mais fotogênico. Se você tiver que optar entre a cirurgia de hemorroidas e o clareamento dental, opte pelo segundo. Afinal, não passamos de um tubo digestivo com um cérebro numa extremidade e uma cueca na outra. Cuide melhor da extremidade que as pessoas veem e que comporta o cérebro.

Enfim, poderíamos escrever dúzias de páginas sobre cada item, sobretudo esse último (do tubo digestivo), por isso acho que poderíamos escrever um ótimo tratado. Umas duzentas páginas com gráficos e ilustrações. Seria um sucesso na feira do livro e no supermercado. Certamente iria contribuir para tornar as pessoas mais felizes.







terça-feira, 6 de abril de 2010

Ah, sim, a mídia...


A cada quatro anos a grande mídia coloca as garras de fora e revela como funciona sua "imparcialidade" e seu “compromisso” com a informação. Essa afirmação já é lugar-comum na blogosfera. Entretanto, nos esquecemos que pequenos jornais ou rádios em pequenas cidades do interior tendem a fazer igual ou pior.

A notícia pura, o acesso aos fatos e às informações (de forma clara e imparcial) a crítica consciente e a responsabilidade de ser um “formador de opinião” parecem não existir. No mundo moderno, "globalizado", a notícia tornou-se um produto a ser vendido no supermercado, junto com margarina, gilete, sabão em pó e xampu. Daí o fato de termos um time de quinta categoria, com datenas e casoys da vida, sensacionalistas berrões e pseudointelectuais enchendo os jornais e telejornais com os seus produtos, da mesma forma que um vendedor de eletrodomésticos anuncia as ofertas do dia na porta de uma loja.

De tempos em tempos deixam de vender o seu peixe (com ou sem sangue) para pegar uma bandeira e fazer campanha, ou melhor, fazer a campanha do patrão, como nos idos(?) tempos do voto de cabresto. Parafraseando Lula, os patrões (dos jornalistas) fazem mais censura do que qualquer governo poderia sonhar em fazer. Reúnem-se para decidir o que deve ser veiculado e de que maneira. Como bons colonizados que somos, fingimos que isso é mentira, mania de perseguição, esquerdismo ou coisas assim.

Esse mal também atinge, como já foi dito, pequenos jornais interioranos. Aqui pela serra gaúcha, jornais criticaram, por exemplo, a luta dos professores e acusaram o CPERS de estar usando os professores para “manobras políticas contra o atual governo do estado”. Ora, todo movimento sindical é também um movimento político, e esse jornalismo de boteco quer, pelo visto, reinventar o sindicalismo, esvaziando-o dessa característica. Esse mesmo jornalismo é capaz de apresentar alguns políticos de forma gramaticalmente correta e educada, enquanto chama outros pelo título pejorativo de “figurões”. Não é preciso estudar “análise do discurso” para perceber o quanto esses folhetins são tendenciosos, quando não são burros, muitas vezes ferindo princípios básicos do jornalismo (que podemos aprender em casa, sem curso superior) como o de ouvir todas as partes e tratá-las de forma imparcial.

Os principais colunistas (no auge de suas “ameaçadas” liberdades de expressão), com raras exceções, são de chorar. As crônicas abrangem desde o saudosismo desesperado até o reacionismo prolixo. Aguns textos são desprovidos de qualquer senso de coesão e clareza (elementos tão caros nas redações de vestibular) ao mesmo tempo em que criticam o desempenho dos professores, numa hipocrisia de dar dó. Todas elas tendem a repetir a ideologia expressa nos grandes jornais ou revistas, até mesmo quando tratam de assuntos ou casos locais. Quando notícia passa a ser mercadoria, o resultado é esse. Ninguém quer vender no seu mercadinho um produto que seja desconhecido, ou fora de moda (seja lá o que isso quer dizer). Corre-se o risco de ser tachado de incompetente, atrasado, antiquado, caloteiro, enfim, corre-se o risco de perder uma fatia do mercado.

Ao contrário do que diz o nosso alquimista da lixeratura, Paulo Coelho, o guerreiro não está só. Então, não adianta trocar Rede Globo por Rede Record, nem trocar um jornal de circulação estadual por um mais "bairrista". Cada vez mais, os meios de comunicação como jornais, rádios e TVs estão se transformando num veículo exclusivo da indústria da publicidade e do entretenimeto. Seria um equívoco esperar deles qualquer coisa além disso, embora eles se autoproclamem detentores da verdade e salvadores da Democracia, quando na verdade, não passam de uma ferramenta usada por uma elite social para a manutenção do status quo.

OBS.: Apesar de tudo, sempre é bom ter um jornal por perto, principalmente agora, no outono, para acender um fogo, colocar no chão do carro ou usar no banheiro (resolvendo as palavras-cruzadas, obviamente).