Mostrando postagens com marcador (?). Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador (?). Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Parábola do guarda-chuva


Naquele tempo, houve um período de muita chuva. O Senhor torcia as nuvens como se fossem panos de prato encharcados. A água que caia formava corredeiras, que formou os rios, que, por sua vez, formaram as ruas desta cidade.

Se hoje tu caminhas sobre elas, é porque o Senhor quis assim. Hoje, as águas correm por outras vias.

Mas, importa saber que, naquele tempo, os profetas ainda condenavam os homens que molhavam suas barbas e que molhavam os seus cabelos quando saíam de suas casas para fazer o bem em dias de chuva.

Foi naquele tempo que Jerobobão intuiu que não era correto deixar de sair para praticar o bem só porque os profetas condenavam os homens que expunham suas barbas à chuva.

E Jerobobão inventou o guarda-chuva.

E Jerobobão, vendo que isso era bom, pensou:

- Vou andar pelos quatro cantos do mundo instruindo as pessoas na arte de fazer guarda-chuvas.

Mas Malafaialá, que era malvado, ao ver a boa obra de Jerobobão, correu até ele, roubou-lhe o guarda-chuva e registrou o invento em seu nome. Mas, ao invés de produzir e ficar rico vendendo guarda-chuvas, Malafaialá, por pura maldade, jogou o registro e o guarda-chuva em um canto, privando a humanidade da invenção de Jerobobão por toda a era do Carneiro, até a metade da era de Peixes quando, finalmente, a invensão caiu em domínio público.

Só então os ungidos por Deus puderam sair de casa para fazer o bem em dias de chuva sem molhar as barbas e os cabelos.

Mas Malafaialá saiu vitorioso porque, naquela ocasião, os profetas não mais condenavam os homens que expunham suas barbas e seus cabelos à chuva.

-><-

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Frio, caridade e croquetes

Quando sinto frio, penso em ler e, quando penso em ler, lembro que também sei escrever (malemal, mas vá lá...). Escrever é preciso (e necessário), no entanto, hoje, não tenho muito o que dizer. Só sei que, em breve, estaremos invernando, já que não podemos hibernar. 
 
E, como não podemos hibernar, o frio é algo preocupante. Dizem que no RS (e no Brasil também) tem gente que não tem agasalho. Quando eu era criança, lembro-me de ter ido ao dicionário verificar que diabo era esse tal de agasalho. Havia campanhas na escola, do tipo “doe um agasalho”. Eu sabia que queria dizer mais ou menos algo como “doe pijamas e casacos velhos” (a profe explicou), mas só desencanei quando li o significado no dicionário. Egoísmos de criança, isso de não confiar em ninguém. Também pudera, com uma palavra assim. Agasalho. Rapidamente aprendi que os significados das palavras flutuam pra lá e pra cá.

E, por falar em agasalho, outro dia vi um poema:

Hoje é sexta-feira
Eu me vou pra discoteque
Onde tudo as mina pira
Agasalhando os croquete

Bem, vinte e dois anos depois de doar agasalho na escola, me vejo diante de uma situação parecida: a de consultar algum dicionário ou manual capaz de jogar algumas luzes sobre o assunto. Não sobre agasalhos, croquetes ou metáforas, mas sobre a aposta universal no ser humano como algo que pode dar certo. 
 
Eu não aposto nisso. Eu aposto no suicídio involuntário de uma espécie que não é capaz de reconhecer nada além de seu próprio reflexo num espelho, seja este um lago, um vidro, ou uma TV LCD.
Ironicamente, essa espécie acredita piamente que é a criação máxima de um ser com poder infinito (Deus) que, para o cúmulo da ironia, teria feito os homens parecidos com ele mesmo... [risos]
Por outro lado, não há notícias de espécie animal com capacidade inventiva semelhante a dos humanos. Por mais que macacos aprendam a usar pequenas ferramentas para obter comida, jamais poderão criar algo como croquetes. E, por mais criativos que sejam quando dependurados em seus galhos, jamais superarão a criatividade humana na hora de agasalhar o croquete. E, finalmente, por maior que seja a comunicação possibilitada pela dúzia de grunhidos emitidos por qualquer espécie, não há animal capaz de fazer uso da metáfora para estabelecer relações de significado entre um pênis e um croquete. E isso é realmente divino.

Fico me perguntando sobre o porquê de ninguém fazer uma campanha do tipo “nesse inverno, agasalhe um croquete”. As pessoas não morrem somente de frio. É preciso amor também. Isso é a prova de que esse tipo de “caridade” (doe um agasalho) é uma atitude essencialmente egoísta, por mais que pareça o contrário (fale com Nietzsche, é ele quem diz isso). Podemos salvar uma ou duas pessoas do frio doando aquele casaco xadrez que temos vergonha de usar porque temos ele desde 2002, mas, não se engane, não estamos salvando o mundo. A “coisa” não vai melhorar por causa disso e não estamos fazendo nada de especial, além de encontrar uma forma politicamente correta de “se livrar” das roupas boas que não queremos mais usar. É claro que Deus nos observa e anota nossas boas ações no caderninho (e isso também pode contar), mas isso é outro assunto. Em outras palavras: “aquele homem que ficou com meu casaco velho sobreviveu ao inverno porque eu o ajudei” na realidade significa “aquele homem que ficou com meu casaco velho deve sua vida a mim”.

Sobre morrer de frio, realmente não sei direto de quem é a culpa. Certamente não é dos croquetes, do frio, ou da dúzia de pessoas que não querem doar agasalhos. Também não é das pessoas que fazem caridade, seja por profissão ou por hobbie. Talvez os maiores culpados pelo fracasso do ser humano sejam simplesmente os espelhos – ou aquilo que pode haver do outro lado, divino ou não. Ou talvez não. 
 
Como a ideia era simplesmente escrever qualquer coisa (sugestão do minuano, que me bateu no lombo enquanto eu tirava a água parada das minhas bromélias), declaro este texto terminado, soberano e livre para exercer seu direito de não resolver merda nenhuma dos problemas da humanidade. Revogam-se as disposições em contrário.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Resumo da autoajuda jamais publicada (ou Matrix para exotéricos)

Recentemente foi descoberto (não se sabe por quem) que o sonho de subir na vida é efetivamente mais fácil de ser concretizado do que imaginávamos.
As últimas pesquisas (que só foram possíveis depois do assassinato de todas as ideologias pelo anjo Haziel) mostraram, enfim, a verdadeira natureza do Segredo e da Vida. A saber: “[...] nós não somos a espécie mais evoluída deste mundo. Exite uma inteligência invisível e superior.” (Fonte: espírito que não precisa mais de nome, via médium anônimo)
Os cientistas da nova era (todos ex-crianças-índigo-cristal) sabem, no entanto, que essa inteligência superior não é Deus. O que se discute nos círculos antroposóficos-blavatskynianos remanescentes é se essa inteligência superior foi criada por Deus ou se é criação de uma outra divindade. Sabe-se, contudo, que ela é manifesta e ultra-dimensional.
De qualquer forma, o que cabe a nós, reles serviçais, é nos preocuparmos em como fazer para comprar um carro novo. Dentro dessa nova visão do Projeto da Criação, sabe-se, agora, que a meta do ser humano não é (e jamais foi) a salvação. Existimos simplesmente para alimentar essa inteligência superior, invisível, manifesta e ultra-dimensional descrita anteriormente, e recebermos a paga por isso.
Pesquisadores com pós-doutorado em Mediunidade e Ciências Ocultas & Macabras observaram que a referida inteligência manifesta-se na forma de cidades e conglomerados urbanos. Depois que o profeta Sergey Brin recebeu dos céus os mega-pixels do Google Earth, ficou fácil observar com mais clareza como a Inteligência se comporta sobre a terra: ela cresce manifestadamente através da forma e dos elementos constituintes do que chamamos de cidades, incluindo, aí, a superestimada presença humana. Até então acreditávamos que éramos os únicos seres responsáveis pelas mudanças e transformações por nós empreendidas na superfície terrestre, mas estávamos enganados. Dentro dos desígnios da Inteligência, nosso papel é bem mais singelo. É semelhante ao dos porcos em relação à nossa espécie: servir de alimento.
As cidades crescem como tumores (e esta ideia não é nova) estendendo suas ramificações em busca de mais espaço para o cultivo de seres humanos, que são a base da sua existência. Elas, pasmem, alimentam-se de sangue e fezes humanas.
Agora sabemos que não somos, de forma alguma, o ápice da criação. Somos apenas uma granja, um cultivo para alimentar a Inteligência. Desse modo, quanto maior for nossa produtividade, maior será a recompensa que esse ser supremo nos dará. Basta uma pequena mudança em nossos hábitos para obtermos o prêmio. Coma mais e consuma mais. Coma, cague, pense e aja como um porco, e a cidade o recompensará com as benesses de que tanto precisa. Alcançarás o sucesso. Terás tudo o que necessitas, desde que não se furte à sua função essencial: chafurdar na própria merda, aceitar o chiqueiro como ele é e jamais questionar a Inteligência. O sucesso só depende de nós.
Esse é o segredo: você é o que você pensa, e você pensa o que deve pensar. Se furtar-se a essa missão divina certamente irá se juntar à turba de descontentes, resmungões, materialistas, não espiritualizados e vagabundos que, justamente por não se submeterem ao seu papel perante o mundo, encontram-se excluídos dessa sociedade maravilhosa que começamos a vislumbrar neste início de século.
Esperamos que, depois deste singelo manual, as pessoas consigam entender melhor as cidades onde vivem e possam oferecer a elas o que elas precisam. E todo o mais vos será acrescentado.
Ordem e Progresso!

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Sentidos

Acordei sentindo o cheiro
de tinta da casa ao lado.
Olhos abertos, semiacordado,
espumo o travesseiro
que me espanta com seus gritos
(aquele ganso morto masoquista)
enquanto o ovo do sol 
anuncia o novo dia:
um céu azul sem sonhos.

Do lado de lá das pálpebras
o mundo não é nada.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Crônica curtíssima sobre um tempo perdido


Me
disseram 
que 
eu
deveria
procuar
um
médico.


Que ele iria me ajudar a fazer amigos (influenciar pessoas não). De tanto insistirem... fui. Cheguei no consultório. Ele me disse:

- Filho, escreve um diário.

Perguntei-lhe:

- Você gosta de escrever?

Ele respondeu:

- Prefiro Freud, frango e farofa.

O plano de saúde pagou a conta. Eu saí do consultório. Todos viveram felizes para sempre.





quarta-feira, 29 de junho de 2011

Insinuações símias sobre o Universo e máquinas de escrever

Ou: Onde tudo começa e tudo acaba
 
                                                             E se Deus for um macaco num laboratório alienígena, brincando com as teclas de uma máquina de escrever?

 
Times New Roman é, sem dúvida, uma das fontes mais feias que existe. Não sou só eu que penso assim. É quase uma unanimidade. Entretanto, ela é ao mesmo tempo uma das mais utilizadas, seja em trabalhos científicos, diários eletrônicos, e-mails, jornais, livros, ofícios e o que mais você conseguir imaginar. É bem possível que essa preferência inconsciente pelo mais feio deve-se simplesmente à preguiça de clicar lá em cima e trocar para Arial. Ou talvez não.
O pretexto corrente de que a fonte “times” é uma exigência da ABNT não vale. A norma também admite o uso da outra. Ao menos meus singelos trabalhos acadêmicos nunca tiveram problemas com o uso de Arial.
Bem, depois de resolvido esse importantíssimo problema da fonte (porque beleza ainda é fundamental), o próximo passo consiste em escolher um dos dez dedos e empurrá-lo em direção a uma das teclas. Na verdade trata-se de oito dedos, se admitirmos que aos polegares corresponde a barra de espaços, e se admitirmos, ainda, que não é muito coerente iniciar um texto com um espaço (apesar de tradicionalmente existir alguns centímetros vazios a cada novo parágrafo). Mas esqueçamos isso. Deixemos que a magia do Office nos ajude com os parágrafos.
Assim sendo, tendo resolvido a questão da primeira letra, podemos deduzir que o segundo passo em direção a um texto consiste necessariamente em inserir a segunda letra. Mas esta, ao contrário da primeira, não pode ser escolhida ao acaso. Existem normas (convencionadas e não convencionadas) em relação a isso e elas devem ser respeitadas (sob pena de a comunicação não ocorrer).
Esta sucessão de caracteres inseridos deverá, necessariamente, formar uma palavra, seja ela conhecida do leitor ou não. A sucessão de palavras eventualmente poderá compor um texto que, ainda eventualmente, poderá ter alguma utilidade para alguém (o bom da modernidade é que árvores são poupadas, eu acho). Sobre isso, cabe destacar que, normalmente, a qualidade de um texto é inversamente proporcional a sua utilidade (se estivermos falando de Literatura), mas isto não é uma regra. Há textos inúteis e ruins, como este.
A partir daqui existem nada menos do que trocentas e tantas teorias que pretendem explicar as infinitas partes disso tudo que eu estou falando. Há inclusive teorias que tentam demonstrar como leitores insanos procuram por textos igualmente insanos que atendam as suas expectativas, bem como as formas que essas pessoas se relacionam (ou não) fora do universo dos textos escritos, o que pode ser ainda mais sinistro (ou não, dependendo do ponto de vista). Isso sem falar nas teorias que demonstram como muitas pessoas procuram pela leitura de textos que lhes desagradem. Hay de todos os tipos, disse uma personagem de O tempo e o vento.

***

O Teorema do Macaco Infinito (mudando de sacola para eco-bag) é uma brincadeira matemática que pretende demonstrar o quanto o infinito pode ser grande e apavorante. Assim, imagine um macaco com um computador a sua frente e com a liberdade para pressionar as teclas que quiser. Surgirão diversas letras aleatórias e, eventualmente, duas delas poderão formar uma sílaba e, com sorte, uma palavra. Se imaginarmos dez macacos com dez teclados podemos concluir que aumentam as probabilidades de surgirem outras sílabas e outras palavras.
Agora, se imaginarmos um número infinito de macacos pressionando aleatoriamente as teclas de um número infinito de teclados, e imaginarmos, ainda, que eles possam passar nada menos que toda a eternidade fazendo isso (esses chimpanzés são fodas), podemos concluir que existe, estatisticamente falando, a possibilidade de que um deles escreva, sem querer, um soneto de Camões. Ou uma página do Zero-Hora. Ou este texto. Os mais fervorosos garantem que pode surgir até a obra completa de Shakespeare. O tempo é tudo (não a matemática)...

(Me pergunto se os macacos prefeririam Times ou Arial...)

(Aliás, acho que todo o mundo se faz esse tipo de pergunta. Não é possível que as pessoas estejam sempre se perguntando se os sapatos combinam com a blusa ou se devem abastecer com álcool ou gasolina. Seria um desperdício (ou sete bilhões de desperdícios...), enfim...)

Na verdade, talvez não estejamos muito longe dessa ideia boba dos macacos infinitos. Macacos que juntam letras e constroem realidades. Há alguém que se considere muito mais do que isso? (Quero conhecê-lo, porque ela deve ser uma pessoa incrível).
Não quero dizer que somos tão inúteis a ponto de atravessar o infinito esperando pelo acaso de “trupicar” em alguma boa ideia, mas é quase isso. Não podemos negar que estamos conectados ao passado de um processo que se não é infinito é muito longo, e que tudo o que vivemos hoje não passa do resultado de uma boa “trupicada” ancestral. E não importa quando começou, importa que eu não estava lá. Nem os macacos ou o MS-Word. Não havia e não há protagonistas. Há somente pessoas ao acaso, dando Ctrl+C e Ctrl+V em ideias boas ou ruins, coerentes ou absurdas; volta e meia esbarrando em algo novo (ou ao menos desconhecido) misturando coisas que pode resultar em algo produtivo ou catastrófico, como o texto de um macaco infinito.
E as considerações finais? Como concluir uma página de um texto que ninguém sabe onde começou? Simples: não se conclui. Sobre esse aspecto a televisão e os seriados americanos já nos brindaram com sua criação máxima: o to be continued.
Eu, para exercer o cilício da continuação, gosto de utilizar Arial, espaçamento 1,5. Começo digitando a primeira palavra e concluo que as pessoas que inventaram o backspace inventaram a roda e não o sabem, tal qual macacos shakespearianos. Se isso presta? Nem Deus sabe! Mas em meio a todas essas letras me satisfaço com a beleza que consigo enxergar nelas e me comprazo em imaginar que ela pode ser diferente daquela que os macocos veem. - E, de quebra, me dou o direito da culpa.

domingo, 29 de maio de 2011

Breve reflexão semi-surrealista a respeito da matéria

O dia e a noite, a cada minuto, tendem a ser mais parecidos. A se tocarem. Misturam-se como um gato se mistura ao sofá onde dorme tranquilo.

Neste dia e nesta noite, este gato e este sofá são os mesmos. Somente suas posturas mudam. O gato se espreguiça: o sofá relaxa. O gato salta ao chão em busca de sua tigela de “coisinhas sabor peixe”: o sofá respira. O gato retorna ao sofá e se recolhe em uma bola de vida: o sofá agradece e o abraça carinhosamente.

Pessoas entram e saem do dia e da noite cada vez mais “mesmas”. Diluem-se, a cada dia, as diferenças entre sono e vigília. Dormimos tensos e sonhamos acordados. O sol e a lua nos acolhem e riem gostoso.

Nossas camas e nossos automóveis são idênticos, e não por acaso. E nossos animais de estimação nos lançam olhares atônitos; olhares que antes pertenciam somente aos peixinhos dourados, habitantes daqueles navios de plástico que já nascem naufragados.

Dia e noite, idênticos, transformam-se em um único mar cinza, cujo destino é abrigar nossos corpos, nossos escafandros afundados. Gato e sofá transgridem a rotina por mim imposta (a de caçar ratos e descansar pernas) para ganharem vida própria e servirem de espelho da alma que resta. Um espelho sem controle remoto. Sem digitalismos e de infinitos megapixels. Um espelho que mostra o quanto a matéria morta ao meu redor me acolhe e me fabrica, como o sofá fabrica o gato que, espreguiçando, lhe fere o braço com as unhas. De dia ou de noite.

domingo, 15 de março de 2009

Primeiro post


Talvez Freud possa explicar coisas assim. Talvez não. Mas de fato, edifícios e antenas de transmissão são sempre motivos de orgulho, não importa o que contenham ou transmitam. Tem sido assim desde os tempos de Babel, acredite...
E o tempo passa rápido. Depois de Babel veio a imprensa, o papel (e a bíblia impressa nele), o café expresso e o excesso de sal na sopa. Milhares de anos foram poucos para tanto progresso. Passamos da falta ao excesso, e agora temos excesso de ambos (exceto de sexo, ao que parece, e de prosa poética).
Enquanto a poesia não vem e a prosa rasteja, o mundo gira veloz. Nos edifícios babilônicos de hoje os televisores iluminam os passos, as antenas transmitem as regras, e o Faustão alegra os domingos. Sejamos prosaicos então...