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quinta-feira, 13 de julho de 2017

Religio

Vou criar
um mundo
em mim
pra fugir e fingir
que tudo é assim
mesmo















Imagem: The deck of Gatti, by Osvaldo Menegazzi.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

quinta-feira, 14 de março de 2013

Ocasional

O cão na chuva
encolhe o corpo
e observa a gota
que cai.

O homem
brinca de morto
e pergunta
pra onde se vai?

domingo, 10 de março de 2013

Lá pelas tantas

Lá pelas tantas você percebe que está cansado
e descobre que, não importa o que diga,
o que faça ou desfaça,
sempre haverá quem queira ouvir
e quem queira calar.
E você disfarça a indignação
- a indigna ação -
de tolerar a entorpecência,
de tolerar a lei muda
que declara que mudar
o que quer que seja
é um provocar sem perdão
(o maior pecar)
até que, lá pelas tantas,
o sono fica mais forte 
do que a própria morte
- mas você tem que continuar.


sexta-feira, 13 de julho de 2012

um sonho

Teus olhos luzem no inferno da noite...
Afasta-os de mim!
Pois perdi a lucidez
E posso pensar que são duas velas
Velando o meu corpo
No meu próprio lar 









sábado, 24 de setembro de 2011

Documento antigo atestando a criação do mundo

Por meio deste, determino que:
pendurem-se as estrelas no céu
(e que sejam eternas, para o desepero do homem).
Armem-se de chuva as nuvens
e amarrem-se os frutos às árvores
(para o desepero dos que comem e bebem e nunca se saciam).
E que os macacos - ah, os macacos...
Que macaqueiem, macacos,
de mar em mar
(de bar em bar),
sempre rumo ao abismo
- à saída sem saída -
ao mérito pútrido dos nobéis 
e das marés das descobertas salvadoras 
(redentoras dos homens), das nações (e suas sanções).
Macaqueiem de norte a sul, 
de leste a oeste cowboy bandeirante errante, 
a passo largo e trôpego. 
Macaco trapezista, equilibra-te.
Equilibra-te pois no mundo, 
este lago insano-imundo.
Equilibra-te pois no muro
e mete no mastro tuas bandeiras
de cores mortas e estrelas rotas.
Equilibra-te pois no galho da tua própria loucura
(sem cura) e aguarda trêmulo, sim, 
o instante fatídico da ruptura, quando, enfim, 
tornarás à matéria pura.
Faça-se assim o mundo
(num instante), num segundo de olhar para o lado...
... e remeta-se cópia ao diabo.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Sentidos

Acordei sentindo o cheiro
de tinta da casa ao lado.
Olhos abertos, semiacordado,
espumo o travesseiro
que me espanta com seus gritos
(aquele ganso morto masoquista)
enquanto o ovo do sol 
anuncia o novo dia:
um céu azul sem sonhos.

Do lado de lá das pálpebras
o mundo não é nada.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

terça-feira, 26 de julho de 2011

Sintomas

Haverá prazeres que superem esta dor de cabeça?
Chego a ficar tonto - de dor e de nojo,
E novamente me vejo perseguindo insônias
(que você não vê)
Enquanto, cego, tento ler as quatro linhas do meu horóscopo
- Um telescópio buscando o passado.


segunda-feira, 25 de julho de 2011

Aula de história

Sentados
Ouvimos
Sentenças
- Silenciosas reticências... 



 

Crônica policial

Um caco de vidro em lua
Corta o pulso
E um pensamento impuro
Deixa a alma nua
Numa madrugada crua de agosto.


 

Canteiro com flores na Praça Gen. Osório

Não!
Estas poucas flores
Não estão balançando ao sabor do vento.
Estão dançando ao som da cidade,
- Cheias de si
E de maldade.


 

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Inércia

Mas meu limite é olhar para esse céu azul,
aquela nuvem branca e coisas assim...
Limito-me a contemplar pernas e saias que passam,
que saem dos seus eixos
infestando faixas de insegurança.
Limito-me a degustar o calor de um verão
numa versão fora de época.
A imitar os outros,
a comemorar, sorrir, chorar...
a contar os dias que passam e
passar os anos calado
(embora pensamentos não se calam). 
 ....................................................
Um pensamento assombra o banco da praça:
Estou vivo!
Enquanto eu, sentado, seguro os meus joelhos.


Idas e vindas

Quisera criar um mundo novo,
vivo, viçoso - porém movediço
e surpreendentemente mudo.
Silencioso como o túnel que nos leva à vida
(aquele refúgio divino e banal)
que em dois tempos nos trai e nos joga ao mar.

Mas qual! Isso não é nada! E o mar...
Lágrimas também são água e sal!
São crianças que nascem sem chorar,
que rolam pelas faces e acabam rendidas ao travesseiro
- aquele outro mundo-
aquele quase lar.





terça-feira, 3 de maio de 2011

Lux(o)

os interesses
ocultos permeiam
perpassam a pele
as asas do inseto

da lâmpada, apenas
a luz a mariposa conhece
e obedece cega as regras da morte
e dos devidos usos das máscaras diversas...

- divirta-se, ó luz perversa!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

BBB 11

Por onze vezes eu me ajoelhei
e orei pedindo aos Céus
que preservassem as encostas,
e alagassem a casa de um milhão de dólares.
Pedi ao inferno que derretesse
as placas tectônicas
e as placas de vídeo.
Frustrado chorei.
Por onze vezes chorei
ao ouvir a voz melodiosa
melosa - biônica - do Pedro Bial
implorando por telefonemas:
o câncer cerebral
que exprime os anseios de um povo sobre murmúrios
semi-fonêmicos 
anêmicos
vazados por entre dentes 
previamente clareados.
-Afinal, somos assim! (eles creem, embasbacados).
Somos o sonho de qualquer brasileiro.
Somos o modelo a ser seguido,
perseguido,
twitado,
idolatrado
... e descartado como o preservativo porco
que nossos pais rejeitaram.

Assim, cá estamos:
Cagados diante da tela
(essa janela alucinada)
esperando o paredão,
o Domingão,
Eu,
o filho amado de Deus, que à Sua imagem e perfeição,
é feito (à minha revelia) irmão de Bonner, Boninho e Faustão.

Ai... da vida de Adão, eu não sei...
Mas a de Caim, não foi em vão!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Momento quase literário...

Tanto faz as foto-fatos nos jornais,
revistas, reality sows, fazendas e
Cabanas da vida...
No Mundo, um Crepúsculo são gritos histéricos
num cinema adolescente...
No Mundo, um Guerreiro da Luz liga um projetor...
E As Violetas continuam na Janela 
- Sentinelas

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Entremeios

Há espaços de luz entre nós.
Espaços de corpos nus,
crucificados.

Mas se essa luz nos bastasse
seríamos canibais luminosos
devorando os olhos com os olhos.

Passeio

Andar pelas ruas é assim:
um ritual
amargo e democrático
pelo qual o mundo nos percebe
sem que o percebamos.
As pernas andando:
uma tesoura picotando
no papel da calçada as formas do ser,
segundo as sombras que traçamos.
Mas depois, pra onde vamos?

Entre o amor e o inesperado

Chegamos cedo
depois de tanto esperar.
Tonturas...
Pouca é a defesa,
grande é a loucura,
a indeferença do teu corpo
molhado e cru,
e o teu grito...
... teu grito tem o som das folhas secas de outono.