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domingo, 2 de outubro de 2011

Sabedoria infantil

     Pai e filho no velório de um parente distante. O filho, visivelmente impaciente, lá pela trigésima quinta ave-maria, não resiste e ataca:
    
     - Pai, quando é que esse tio vai para o Céu, afinal?


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Vaquinhas alcoolizadas

Algumas das vaquinhas que enfeitaram a última edição do Festiqueijo foram encontradas completamente alcoolizadas e nuas na rótula da Santa Clara. 

Testemunhas afirmaram que não foi a forte ventania que as berrubou (como até então se pensava), mas doses cavalares de moscatel bebido direto da garrafa
 
As vaquinhas foram encaminhadas ao pronto-socorro e agora passam bem.

"Nós prometemos que no ano que vem vamos beber menos. Mas nosso porre tem explicação: só trouxeram vacas, caramba! Passamos todo o Festiqueijo sem a companhia de nenhum touro. Assim não dá, não teve outra saída senão fazer uma comemoração à moda grega com minhas amigas..." desabafou uma das vacas.





quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Crônica curtíssima sobre um tempo perdido


Me
disseram 
que 
eu
deveria
procuar
um
médico.


Que ele iria me ajudar a fazer amigos (influenciar pessoas não). De tanto insistirem... fui. Cheguei no consultório. Ele me disse:

- Filho, escreve um diário.

Perguntei-lhe:

- Você gosta de escrever?

Ele respondeu:

- Prefiro Freud, frango e farofa.

O plano de saúde pagou a conta. Eu saí do consultório. Todos viveram felizes para sempre.





sexta-feira, 29 de julho de 2011

Vereadores: nove ou onze?

O voz do povo é a voz de Deus!
Sistema preferido pelo barbosense:

Sistema ideal para poupar dinheiro

Vamos instaurar uma monarquia absolutista!
"Economizo, logo existo!"


Eu ri...


quinta-feira, 17 de março de 2011

Dia da mulher (olhando a coisa por outro lado)

Deixando de ser hipócrita por alguns segundos e mostrando o outro lado da moeda:




Detalhe sórdido: a mulher acima é tratada na maioria dos sites não pelo nome, mas pela alcunha de Ex-Ronaldinha.
Aos hipotéticos observadores de outros mundos: apreciamos tais cenas, ainda, contando com a complacência de muitas (muitas) mulheres, mesmo há mais de um século das primeiras "conquistas femininas". Ou seja: o caminho é mais longo...
 
Clichê por clichê, vamos à citação: Simone de Beauvoir: "não se nasce mulher: torna-se". Só que isso é muito mais do que um refrão bonitinho para um cartão. E não é necessariamente um elogio.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Papagaiando notícias...



 

O 'abestado' no Congresso

Fontes da Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo e do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo são unânimes: Tiririca vai sair incólume de denúncia sobre seu suposto analfabetismo. O palhaço foi o candidato a deputado federal mais votado do país, com 1,3 milhão de eleitores.

Nesta segunda-feira, o juiz eleitoral Aloísio Sérgio Rezende Silveira aceitou uma denúncia do Ministério Público Eleitoral que acusa Tiririca de ter falsificado o documento que apresentou para demonstrar que não é analfabeto, uma exigência aos candidatos sem comprovação de escolaridade.

O grande trunfo do palhaço é o fato de o registro da candidatura dele ter sido deferido pela Justiça Eleitoral. Além disso, Tiririca é amparado por fundamento constitucional. Ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo, ainda que seja judicialmente intimado. 

Há uma outra dificuldade. Tiririca está no Ceará, ou seja, teria de ser notificado pela Justiça cearense a pedido da Justiça paulista. E há um outro porém: ele será diplomado no dia 16 ou 17 de dezembro, e a partir de então será considerado deputado federal. O que significa que a competência para investigá-lo, seja no âmbito criminal, seja no âmbito civil, passa a ser de competência exclusiva do STF. É a chamada prerrogativa por foro ou função, de qual gozam os parlamentares. Em suma: Pior não fica. Só melhora. Para ele. 

Por Guilherme Vieira Prestes

terça-feira, 28 de setembro de 2010

E se eu morresse amanhã?

E se eu perdesse minha conta do Google amanhã?


Se eu perdesse minha senha, meu blog ficaria com o "obsceno" (lá no título) escrito errado. Durante milênios meu erro ficaria exposto ao bullying (ou à então ultraviolência) de incontáveis gerações e, lá no além, meu analista (possivelmente o Diabo) teria todo o tempo do universo para ouvir minhas lamentações. No final de cada consulta, o Cão, num assomo de curiosidade sádica, perguntaria se aquela vírgula também não estaria errada. Eu explicaria que não, que isso, que aquilo...

E assim eu passaria a eternidade, até o momento em que todas as galáxias voltassem a se comprimir num único ponto sem dimensões dando origem a um novo  Big-Bang, a um novo e estranho universo.

Epílogo

Depois de treze bilhões de anos a partir dessa nova expansão do universo, os ocultistas de então terão a estranha certeza de que há uma palavra fundamental. Uma palavra que, de alguma forma, sobrevive a cada nova criação do universo (apesar dos erros ortográficos). Uma palavra que não pode ser conhecida. Eles a chamarão de "palavra de Deus", ou simplesmente "Verbo", embora estando conscientes de que tal palavra não tem qualquer relação com Deus. Os iniciados nas artes ocultas desse novo mundo saberão que, se essa palavra fosse descoberta e pronunciada, por algum motivo o universo interromperia o seu ciclo eterno de expansões e contrações. O universo se anularia instantaneamente. Brahma pararia de respirar. - Ainda bem que eu não perdi a minha conta do Google!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Sobre Paulo Coelho (uma breve e provisória conclusão)

Representantes de uma época.

Há pessoas mais equilibradas, menos radicais, que preferem manter-se numa confortável posição intermediária, ou neutra (ainda descubro se tal posição existe) em relação a certos assuntos. Evitam a todo custo um posicionamento mais específico. Alguns creem tratar-se de uma virtude. Acordam todo dia sentido-se capazes de agradar a gregos e troianos. São chefes de seção acreditando que podem satisfazer, ao mesmo tempo, a direção e os operários. São professores universitários pensando que estão agradando a reitoria e os alunos. São reitores que expulsam alunos de “trajes inadequados”, e depois anulam a expulsão, numa tentativa de agradar a todo o mundo.

Bandas de garagem querem ressuscitar o punk, mas não querem que a mamãe os veja mal vestidos no YouTube. Estudantes fazem associações e grêmios estudantis, mas são inativos, limitando-se a festinhas de fim de ano, evitando conflitos por medo de perder alguns amiguinhos do Orkut. Gostos? Não se discute. Crenças? Não se discute. Política? Não se discute. O Século XXI parece com aquelas vovozinhas que vivem dizendo que “gostos, cores e amores, não se discute”, mas que ficam horrorizadas ao descobrirem que suas netinhas gostam de meninas.

Dizem que Paulo Coelho pode ser uma iniciação à leitura. De fato, pode. Mas, contabilizando, na minha pequena rede de relacionamentos (estudo, família e trabalho), ainda não há ninguém que tenha dado o “passo à diante”. A grande maioria dos que liam – e gostavam – de Paulo Coelho, hoje está lendo Augusto Cury, Zíbia Gasparetto, livrinhos que falam de diferenças entre homens e mulheres, Quem mexeu no meu queijo (ou salame, ou presunto, sei lá...). Alguns foram ao fundo do poço lendo A Bíblia da Esposa que Ora. Outros, lendo Herry Poter, acreditam que “qualidade literária” está relacionada com o “tamanho do livro”. Os que tentavam passar para textos mais pesados logo desistiam. “Esse livro é muito chato, aquele é muito difícil e daquele outro, não consegui entender nada...”

Em contrapartida, buscando na memória por meus amigos mais exigentes quanto aos livros que leem, reparei que aqueles colegas já eram seletivos ainda na escola. No Ensino Médio, ouvindo falar dos “mestres da literatura”, tinham curiosidade em conhecê-los. Iam à biblioteca, retiravam Fernando Pessoa, liam, não entendiam nada, mas não desistiam.

Fica a pergunta, principalmente aos educadores: Será que Paulo Coelho é válido como primeiro passo no mundo da literatura? Será que a quantidade de leitura importa mais do que a qualidade dos textos?

Somos representantes de uma época. Não queremos ofender a ninguém. Queremos agradar a todos. "Você gosta de Paulo Coelho? Tudo bem, ele pode abrir-lhe o caminho para a literatura. Gosta de Fernando Pessoa? Que bom, eu nunca li, mas se é poesia, deve ser bom. Gosta da Bíblia da esposa que ora? Sem problemas, o importante é sentir-se bem. Está lendo Crepúsculo? É bom, pois cativa os jovens...". Vivemos num tempo em que ninguém quer ser pedrinha no sapato de ninguém, e é natural que seja assim, afinal, isso dá prejuízo, não leva a nada e não faz ganhar nada. Cada um com os seus problemas. É tu na tua e eu na minha. Caminhando e cagabdo a turba segue.


Imagem: Josh Neuman

sábado, 28 de novembro de 2009

Sobre Paulo Coelho (II)






Em 2005 Paulo Coelho foi capa de três revistas de circulação nacional. Na mesma semana foi reportagem de capa do programa Fantástico, da Rede Globo. O curioso é que seus fãs garantem que isso tudo não é marketing - é reconhecimento pelo talento do mago. Sim, temos que ouvir essas baboseiras e aceitar como se aceita qualquer opinião. Tentar argumentar é inútil, pois toda e qualquer crítica é rebatida pelos fãs com a eterna falácia da inveja: "você tem inveja dele, por isso você critica!". Era só o que faltava, invejar um egocêntrico que se autodeclara "o maior intelectual do Brasil"!



Nosso alquimista da "literatura" anda meio quieto. Vamos ver quanto tempo demora para um novo golpe publicitário, ops... um novo reconhecimento pelo talento coelhano, que deve incluir a capa de duas ou três revistas, o Fantástico, o Jornal Nacional e talvez uma entrevista no programa da Ana Maria Braga (“tem coisas que o dinheiro não compra, para todas as outras...”). Isso tudo, como é de praxe, momentos antes do lançamento do último livro, que mesmo desconhecido, já será amado, elogiado e transformado em objeto de desejo pela imprensa semianalfabeta e interesseira, e seu respectivo público.
Com tamanha publicidade, até a mãe do Badanha faria sucesso...

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Sobre Paulo Coelho (I)

Comentário num fórum do Orkut:

"é mto melhor ler Joyce ou Kafka e não entender merda nenhuma do que ler a merda do PC e entender tudo..."


Hmm... nem só de merda vive o Orkut...

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Não, não é por dinheiro!

Vejam o que eu recebi no painel do blogspot logo após publicar a postagem abaixo:

Não, não é uma questão de dinheiro... deve ser um sinal de Deus para que eu me converta!

É de cair as bolas

E ainda há quem diga que "religião não se discute". Depois das denúncias contra Edir Macedo, não resisti e entrei no blog do sujeito (só para ver com que a cara de pau ele trataria do assunto). Encontrei um comentário de um fiel. Esse comentário mostra o quanto essas igrejas são poderosas no sentido de destruir o senso crítico das pessoas. É de dar medo.
Eu retirei o nome do autor, pois a intenção não é expor as pessoas, mas as ideias.

"Por: ----------------------------------

201

18th agosto, 2009 as 1:23

OLÁ BISPO MACEDO, SABEMOS QUE QUANDO O DIABO E SEUS REPRESENTANTES SE LEVANTAM CONTRA NÓS É SOMENTE PRA CAIR. O SENHOR É UMA BENÇÃO. UM ABRAÇO QUERIDO BISPO MACEDO E QUE DEUS O ABENÇOE SEMPRE."


Não sei se voltarei a ter uma ereção depois disso...

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Solo de flauta


Adoro isso. Um ou outro músico mais maluco se apropria do tempo e do espaço da banda e do público e simplesmente deixa rolar. Cinco minutos, dez minutos de pura surpresa. Nesse ambiente, cada segundo que passa tem uma intensidade incrível, pois você simplesmente não faz ideia do que irá acontecer ou de como aquilo vai acabar. É tenso, fica-se esperando pela "volta ao normal". É a quebra do prosaico. Mas há quem não goste...