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terça-feira, 17 de julho de 2012

O maior brasileiro de todos os tempos


E o maior brasileiro de todos os tempos é...

Paulo Coelho!

Já pensou? A chance é real. Tenho a séria impressão que esse cara vai ficar entre os dez primeiros colocados. Não por merecer, obviamente, mas porque é assim que as coisas são. Tom Jobim e Chico Buarque, por exemplo, já perderam para Luan Santana, que, na opinião de muitos brasileiros, merece o nobre título de maior brasileiro de todos os tempos.

Por Zeus! Como alguém pode achar que Luan Santana é o brasileiro mais importante de todos os tempos? O que um cara como esses fez pelo país ou pelo mundo? Lançar umas modinhas musicais descartáveis? Aliás, escolher alguém, quem quer que seja, já é uma tarefa ingrata. Que critérios utilizar? Eu mesmo não tenho certeza sobre quem escolher (considerando que eu quisesse participar dessa piada). Mas escolher Luan Santana? Como alguém consegue um absurdo desses? Quem votou no Gugu? No Datena? Na Hebe Camargo? Isso só pode ser um sinal do fim dos tempos, pois a lista de pérolas é grande.

Por falar em critérios, eu creio que um deles poderia estar ligado à literatura. Guimarães Rosa, Machado de Assis... mas espere: uma nação, parece, não se faz com homens e livros quando ela sofre (e sempre sofreu) de analfabetismo funcional. Mais um ponto para Paulo Coelho. Se você souber juntar letrinhas já pode ler a obra coelhiana e dizer, orgulhoso, que votou num brasileiro ligado à "literatura".

É como diz o ditado: nada está tão mal que não possa piorar.

Por outro lado, canais especializados em fofocas de bastidores garantem que o ex-presidente Lula tem grandes chances de ser o primeiro colocado. Se for assim, é uma escolha coerente, que faz jus a proposta do programa. Mas eu sempre confio na capacidade intelectual do nosso internauta, por isso podemos esperar por surpresas. Aposto algumas unhas dos pés que Paulo Coelho fica entre os dez primeiros colocados, isso se algo pior não acontecer. Veja bem, nosso bruxinho, além de ser o maior intelectual brasileiro (segundo ele mesmo, claro...), também é alquimista, do tipo que consegue transformar merda em ouro. Se ele consegue tudo isso, certamente é capaz de conquistar uma boa posição nessa votação. Enquanto isso, eu exercito minhas habilidades proféticas.

Enfim, confiram como anda a classificação para o brasileiro mais cuiudo de todos os tempos. Divirtam-se com as pérolas e tirem suas próprias conclusões.

100º = Maria da Penha
99º = Jô Soares
98º = Vital Brazil
97º = Ana Paula Valadão
96º = Roberto Justus
95º = Itamar Franco
94º = Ronald Golias
93º = Jorge Amado
92º = Romário
91º = Pe. Landell de Moura
90º = Anderson Silva
89º = Tom Jobim
88º = Cazuza
87º = William Bonner
86º = Amado Batista
85º = Chacrinha
84º = Chico Buarque
83º = Joelma
82º = Ronaldinho Gaúcho
81º = Datena
80º = Sócrates
79º = *
78º = Fernando Collor de Mello
77º = Marcos Pontes
76º = Luís Carlos Prestes
75º = Claudia Leitte
74º = Lampião
73º = Garrincha
72º = Michel Teló
71º = Lua Blanco
70º = Marechal Rondon
69º = Antônio Ermírio de Moraes
68º = Duque de Caxias
67º = Monsenhor Jonas Abib
66º = Carlos Chagas
65º = Reynaldo Gianecchini
64º = Ulisses Guimarães
63º = Dedé do Vasco
62º = Mazzaropi
61º = Zico
60º = Pe. Marcelo Rossi
59º = Marcos do Palmeiras
58º = Roberto Marinho
57º = Monteiro Lobato
56º = Hebe Camargo
55º = Paulo Freire
54º = Missionário RR Soares
53º = Zumbi dos Palmares
52º = Carlos Drummond de Andrade
51º = Paiva Neto
50º = Rogério Ceni
49º = Gugu Liberato
48º = Tiririca
47º = Leonel Brizola
46º = Raul Seixas
45º = Visconde de Mauá
44º = Elis Regina
43º = Ivete Sangalo
42º = Luan Santana
41º = Machado de Assis

* não teve o nome divulgado porque é candidato nas eleições municipais.

Enquanto isso, comente, aí embaixo, quem você acha que vai ganhar essa bagaça. Façam suas apostas!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Sobre Paulo Coelho (uma breve e provisória conclusão)

Representantes de uma época.

Há pessoas mais equilibradas, menos radicais, que preferem manter-se numa confortável posição intermediária, ou neutra (ainda descubro se tal posição existe) em relação a certos assuntos. Evitam a todo custo um posicionamento mais específico. Alguns creem tratar-se de uma virtude. Acordam todo dia sentido-se capazes de agradar a gregos e troianos. São chefes de seção acreditando que podem satisfazer, ao mesmo tempo, a direção e os operários. São professores universitários pensando que estão agradando a reitoria e os alunos. São reitores que expulsam alunos de “trajes inadequados”, e depois anulam a expulsão, numa tentativa de agradar a todo o mundo.

Bandas de garagem querem ressuscitar o punk, mas não querem que a mamãe os veja mal vestidos no YouTube. Estudantes fazem associações e grêmios estudantis, mas são inativos, limitando-se a festinhas de fim de ano, evitando conflitos por medo de perder alguns amiguinhos do Orkut. Gostos? Não se discute. Crenças? Não se discute. Política? Não se discute. O Século XXI parece com aquelas vovozinhas que vivem dizendo que “gostos, cores e amores, não se discute”, mas que ficam horrorizadas ao descobrirem que suas netinhas gostam de meninas.

Dizem que Paulo Coelho pode ser uma iniciação à leitura. De fato, pode. Mas, contabilizando, na minha pequena rede de relacionamentos (estudo, família e trabalho), ainda não há ninguém que tenha dado o “passo à diante”. A grande maioria dos que liam – e gostavam – de Paulo Coelho, hoje está lendo Augusto Cury, Zíbia Gasparetto, livrinhos que falam de diferenças entre homens e mulheres, Quem mexeu no meu queijo (ou salame, ou presunto, sei lá...). Alguns foram ao fundo do poço lendo A Bíblia da Esposa que Ora. Outros, lendo Herry Poter, acreditam que “qualidade literária” está relacionada com o “tamanho do livro”. Os que tentavam passar para textos mais pesados logo desistiam. “Esse livro é muito chato, aquele é muito difícil e daquele outro, não consegui entender nada...”

Em contrapartida, buscando na memória por meus amigos mais exigentes quanto aos livros que leem, reparei que aqueles colegas já eram seletivos ainda na escola. No Ensino Médio, ouvindo falar dos “mestres da literatura”, tinham curiosidade em conhecê-los. Iam à biblioteca, retiravam Fernando Pessoa, liam, não entendiam nada, mas não desistiam.

Fica a pergunta, principalmente aos educadores: Será que Paulo Coelho é válido como primeiro passo no mundo da literatura? Será que a quantidade de leitura importa mais do que a qualidade dos textos?

Somos representantes de uma época. Não queremos ofender a ninguém. Queremos agradar a todos. "Você gosta de Paulo Coelho? Tudo bem, ele pode abrir-lhe o caminho para a literatura. Gosta de Fernando Pessoa? Que bom, eu nunca li, mas se é poesia, deve ser bom. Gosta da Bíblia da esposa que ora? Sem problemas, o importante é sentir-se bem. Está lendo Crepúsculo? É bom, pois cativa os jovens...". Vivemos num tempo em que ninguém quer ser pedrinha no sapato de ninguém, e é natural que seja assim, afinal, isso dá prejuízo, não leva a nada e não faz ganhar nada. Cada um com os seus problemas. É tu na tua e eu na minha. Caminhando e cagabdo a turba segue.


Imagem: Josh Neuman

sábado, 28 de novembro de 2009

Sobre Paulo Coelho (II)






Em 2005 Paulo Coelho foi capa de três revistas de circulação nacional. Na mesma semana foi reportagem de capa do programa Fantástico, da Rede Globo. O curioso é que seus fãs garantem que isso tudo não é marketing - é reconhecimento pelo talento do mago. Sim, temos que ouvir essas baboseiras e aceitar como se aceita qualquer opinião. Tentar argumentar é inútil, pois toda e qualquer crítica é rebatida pelos fãs com a eterna falácia da inveja: "você tem inveja dele, por isso você critica!". Era só o que faltava, invejar um egocêntrico que se autodeclara "o maior intelectual do Brasil"!



Nosso alquimista da "literatura" anda meio quieto. Vamos ver quanto tempo demora para um novo golpe publicitário, ops... um novo reconhecimento pelo talento coelhano, que deve incluir a capa de duas ou três revistas, o Fantástico, o Jornal Nacional e talvez uma entrevista no programa da Ana Maria Braga (“tem coisas que o dinheiro não compra, para todas as outras...”). Isso tudo, como é de praxe, momentos antes do lançamento do último livro, que mesmo desconhecido, já será amado, elogiado e transformado em objeto de desejo pela imprensa semianalfabeta e interesseira, e seu respectivo público.
Com tamanha publicidade, até a mãe do Badanha faria sucesso...

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Sobre Paulo Coelho (I)

Comentário num fórum do Orkut:

"é mto melhor ler Joyce ou Kafka e não entender merda nenhuma do que ler a merda do PC e entender tudo..."


Hmm... nem só de merda vive o Orkut...