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sexta-feira, 12 de abril de 2013

O alvorecer de uma nova religião

O cristianismo-feliz, ou cristofelicianismo, é uma religião da Nova Era, derivada do antigo e ultrapassado cristianismo, e caracterizada por sua interpretação literal do texto bíblico, com ênfase nos aspectos homofóbicos, xenofóbicos, sexistas e racistas que eventualmente aparecem nesse livro.

O Culto

As principais características do seu culto são templos lotados com multidões em incontrolável transe autoinduzido, expulsões (no grito) de todos os demônios, diabos, pragas, exus, entidades, “caboclos”, santos e quaisquer outras divindades não pertencentes ao panteão cristão-feliciano, e a prospecção in loco de eventuais financiadores para a obra de Deus (divindade que tentaremos descrever mais adiante). Para as pregações no púlpito é necessário árduo treinamento do pregador, que deverá adquirir uma voz possante e ensurdecedora, com a qual exortará a plateia a abrir suas carteiras e entregar parte de suas economias. A voz possante do pregador também se faz necessária nos momentos de alegria e êxtase, quando é anunciada a morte de algum inimigo de Deus pelas suas próprias mãos, e quando são recordadas as verdades-felicianas.

O deus da religião cristã-feliciana

O deus da religião cristã-feliciana possui características deveras peculiares, todavia, fomos persuadidos a não descrevê-las nesse blogue, por medo de que algum mal entendido provocasse uma represália de seus seguidores mais ortodoxos, ou até do seu próprio deus, que costuma ser cruel e impiedoso. Mas, em resumo, é aquele deus vingativo do Antigo Testamento, mas que, de vez em quando, fica inexplicavelmente compassivo e bondoso.

A origem do nome


O nome cristofelicianismo deriva da antiga expressão “Cristo é feliz!”, supostamente bradada pelos primeiros fiéis como resposta à exortação de cada uma das sete verdades-felicianas. Cristão-feliciano (ou, às vezes, cristão-feliz) é como costuma-se chamar o seguidor do cristofelicianismo.

As sete verdades da religião cristã-feliciana


1- Deus amaldiçoou o povo africano
2- Deus criou a mulher para servir ao homem
3- Deus abomina os homossexuais
4- Deus matou John Lennon
5- Deus matou os Mamonas Assassinas
6- Deus afundou o Titanic
7- Deus é amor

 De um pequeno grupo, para o mundo inteiro

O Cristofelicianismo veio a público depois que seu maior representante conseguiu o cargo de presidente da CDHM - Comissão de Direitos Humanos e Minorias. O movimento tomou notoriedade depois que alguns humanos pertencentes a grupos minoritários entenderam que a entrega da presidência da CDHM a um cristão-feliz representaria uma ameaça a futuros avanços na área. Entretanto, a eleição da presidência deu-se sem nenhuma ilegalidade (apesar do contrassenso), o que evidencia a forte influência da nova religião, não só no meio político, mas em todas as esferas da sociedade.

[PAUSA PARA O CAFÉ...]
 ...

Agora falando sério

Não se trata de denegrir religião ou religiosidade alguma, mas de observar os limites. Não os limites impostos ou não por leis ou pela Constituição (na qual alguns bolsonaros da vida buscam equivocadamente um delirante “direito ao preconceito”), mas os limites do bom senso. “Africanos estão fodidos porque não aceitaram a Deus.”, “A Aids é culpa dos homossexuais”, etc. Em pleno século XXI há pessoas que se satisfazem com essas respostas tão inocentes e simplistas para problemas nada inocentes e nada simples! É claro que é um direito de qualquer um aceitar ou não qualquer explicação para qualquer coisa, mas não é direito de ninguém usar (ou abusar) de seu justo direito à fé para incitar ódio e violência a pessoas ou grupos de pessoas. Veja isso: em pleno século XXI (ou talvez, quem sabe, por causa do sec. XXI) há pessoas que sentem prazer em imaginar que um assassinato poderia ser justificado por uma causa divina.



Fico imaginando quanto tempo falta para as pessoas se sentirem à vontade para sair à rua dando tiros em mim ou em você, não por causa de um tênis ou cinco reais - mas em nome de uma divindade.

Observe a fala do pastor (fazendo de conta que fala com o cadáver): “esse foi em nome do Pai, esse em nome do Filho e, esse, em nome do Espírito Santo”. Percebeu o prazer no seu rosto e na sua fala enquanto ele se imaginava na presença de uma pessoa alvejada por três tiros? Percebeu o gozo da plateia? Se isso não é incitação ao ódio e à violência, então podem me internar. Por isso, sem rodeios: se essa aí é a “trindade” (ou como quer que a chamem) eu quero mais é que o cu dela pegue fogo! (o cu DELA, não o meu, nem o seu, nem o de ninguém) E que ela, se quiser me dar três tiros, não seja covarde em mandar um mensageiro, mas que o faça pessoalmente!

Divirta-se (ou não) com mais pérolas do cristofelicianismo




quinta-feira, 14 de março de 2013

Ocasional

O cão na chuva
encolhe o corpo
e observa a gota
que cai.

O homem
brinca de morto
e pergunta
pra onde se vai?

domingo, 10 de março de 2013

Lá pelas tantas

Lá pelas tantas você percebe que está cansado
e descobre que, não importa o que diga,
o que faça ou desfaça,
sempre haverá quem queira ouvir
e quem queira calar.
E você disfarça a indignação
- a indigna ação -
de tolerar a entorpecência,
de tolerar a lei muda
que declara que mudar
o que quer que seja
é um provocar sem perdão
(o maior pecar)
até que, lá pelas tantas,
o sono fica mais forte 
do que a própria morte
- mas você tem que continuar.


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Vaquinhas alcoolizadas

Algumas das vaquinhas que enfeitaram a última edição do Festiqueijo foram encontradas completamente alcoolizadas e nuas na rótula da Santa Clara. 

Testemunhas afirmaram que não foi a forte ventania que as berrubou (como até então se pensava), mas doses cavalares de moscatel bebido direto da garrafa
 
As vaquinhas foram encaminhadas ao pronto-socorro e agora passam bem.

"Nós prometemos que no ano que vem vamos beber menos. Mas nosso porre tem explicação: só trouxeram vacas, caramba! Passamos todo o Festiqueijo sem a companhia de nenhum touro. Assim não dá, não teve outra saída senão fazer uma comemoração à moda grega com minhas amigas..." desabafou uma das vacas.





sexta-feira, 29 de julho de 2011

Vereadores: nove ou onze?

O voz do povo é a voz de Deus!
Sistema preferido pelo barbosense:

Sistema ideal para poupar dinheiro

Vamos instaurar uma monarquia absolutista!
"Economizo, logo existo!"


Eu ri...


quinta-feira, 17 de março de 2011

Dia da mulher (olhando a coisa por outro lado)

Deixando de ser hipócrita por alguns segundos e mostrando o outro lado da moeda:




Detalhe sórdido: a mulher acima é tratada na maioria dos sites não pelo nome, mas pela alcunha de Ex-Ronaldinha.
Aos hipotéticos observadores de outros mundos: apreciamos tais cenas, ainda, contando com a complacência de muitas (muitas) mulheres, mesmo há mais de um século das primeiras "conquistas femininas". Ou seja: o caminho é mais longo...
 
Clichê por clichê, vamos à citação: Simone de Beauvoir: "não se nasce mulher: torna-se". Só que isso é muito mais do que um refrão bonitinho para um cartão. E não é necessariamente um elogio.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Uma imagem vale mais que mil palavras...

 
Imagem: Jornal Contexto, 20/02/2010

Que fique claro: não estou acusando nenhum jornal e nenhum dos seus profissionais de atitude preconceituosa. Apenas estou utilizando a ilustração para fazer uma reflexão. Faço essa observação porque, como sabemos, não existe preconceito no Brasil.

Ocorre que, dia desses, li um artigo que falava sobre a enorme quantidade de peças publicitárias mostrando pessoas brancas num país que, segundo dados do IBGE, já é composto majoritariamente por negros e mestiços. Quando se fala em publicidade, entende-se que o público deve se identificar com as imagens, se eu não estiver enganado (que algum profissional da área me ilumine, ou não durmo essa noite). Enfim, o artigo falava das peças publicitárias, da esmagadora presença de brancos nas novelas da Rede Bobo (que são assistidas por uma maioria negra) e coisas assim. Ocorreu-me (deixando de lado as novelas) que na nossa região, negros e mestiços são, de fato, minoria. Somos predominantemente descendentes de imigrantes italianos, alemães, poloneses e blá, blá, blá (como nos vêm ensinando desde a terceira série). Portanto, nada mais lógico do que olhar para aqueles outdoors na 25 de setembro e deparar-se com a imagem da branquíssima modelo da propaganda de roupas íntimas e com a foto da bela equipe de atendentes das Lojas Lebes, cujos traços não deixam dúvidas: são barbosenses.

E a imagem do jornal? Simples: era preciso uma imagem para ilustrar a manchete, e o ilustrador é livre para desenhar o que quiser. Isso não quer dizer que ele seja preconceituoso (eu acho). Eu gosto de imaginar coisas: Talvez alguém tenha advertido, antes da publicação: "mas será que não terá algum xarope que vai achar racismo nisso aí?", e outro: "só se for um daqueles malucos que defendem as cotas nas universidades...", e mais outro: "má  che, má donde que questo é racismo, Madonna de Dio! Cuida que se tu desenhá um gringo ele vai te processá também há há, há, há...". E no fim, a imagem saiu, e mostra um negro, atrás das grades, aplicando um golpe pelo celular numa inocente mulher de olhos azuis.

Recentemente, uma professora iluminada disse que "ninguém é preconceituoso de propósito, porque ninguém é ignorante de propósito". Devemos ficar atentos, não para levantar o dedo e apontar: fulano é racista; mas para levantar a voz contra atitudes que paulatinamente vão construindo uma representação falsa da realidade. Atitudes que "criam" a própria realidade, o imaginário coletivo. Se as imagens não tivessem o poder de criar, na mente de quem as vê, determinada ideia ou conceito, toda forma de propaganda se resumiria em duas ou três palavras em Times New Roman, e não precisaríamos de outdoors imundos ou dos comerciais idiotas das Casas Bahia. Tampouco precisaríamos de ilustrações nas áginas dos jornais.

Sobre preconceito, Guacira Lopes Louro, no livro Um corpo estranho, diz que uma imagem pode não ser, necessariamente, preconceituosa; mas pode estar afiando as facas da intolerância. Hum... isso dá o que pensar.




segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Sobre Paulo Coelho (uma breve e provisória conclusão)

Representantes de uma época.

Há pessoas mais equilibradas, menos radicais, que preferem manter-se numa confortável posição intermediária, ou neutra (ainda descubro se tal posição existe) em relação a certos assuntos. Evitam a todo custo um posicionamento mais específico. Alguns creem tratar-se de uma virtude. Acordam todo dia sentido-se capazes de agradar a gregos e troianos. São chefes de seção acreditando que podem satisfazer, ao mesmo tempo, a direção e os operários. São professores universitários pensando que estão agradando a reitoria e os alunos. São reitores que expulsam alunos de “trajes inadequados”, e depois anulam a expulsão, numa tentativa de agradar a todo o mundo.

Bandas de garagem querem ressuscitar o punk, mas não querem que a mamãe os veja mal vestidos no YouTube. Estudantes fazem associações e grêmios estudantis, mas são inativos, limitando-se a festinhas de fim de ano, evitando conflitos por medo de perder alguns amiguinhos do Orkut. Gostos? Não se discute. Crenças? Não se discute. Política? Não se discute. O Século XXI parece com aquelas vovozinhas que vivem dizendo que “gostos, cores e amores, não se discute”, mas que ficam horrorizadas ao descobrirem que suas netinhas gostam de meninas.

Dizem que Paulo Coelho pode ser uma iniciação à leitura. De fato, pode. Mas, contabilizando, na minha pequena rede de relacionamentos (estudo, família e trabalho), ainda não há ninguém que tenha dado o “passo à diante”. A grande maioria dos que liam – e gostavam – de Paulo Coelho, hoje está lendo Augusto Cury, Zíbia Gasparetto, livrinhos que falam de diferenças entre homens e mulheres, Quem mexeu no meu queijo (ou salame, ou presunto, sei lá...). Alguns foram ao fundo do poço lendo A Bíblia da Esposa que Ora. Outros, lendo Herry Poter, acreditam que “qualidade literária” está relacionada com o “tamanho do livro”. Os que tentavam passar para textos mais pesados logo desistiam. “Esse livro é muito chato, aquele é muito difícil e daquele outro, não consegui entender nada...”

Em contrapartida, buscando na memória por meus amigos mais exigentes quanto aos livros que leem, reparei que aqueles colegas já eram seletivos ainda na escola. No Ensino Médio, ouvindo falar dos “mestres da literatura”, tinham curiosidade em conhecê-los. Iam à biblioteca, retiravam Fernando Pessoa, liam, não entendiam nada, mas não desistiam.

Fica a pergunta, principalmente aos educadores: Será que Paulo Coelho é válido como primeiro passo no mundo da literatura? Será que a quantidade de leitura importa mais do que a qualidade dos textos?

Somos representantes de uma época. Não queremos ofender a ninguém. Queremos agradar a todos. "Você gosta de Paulo Coelho? Tudo bem, ele pode abrir-lhe o caminho para a literatura. Gosta de Fernando Pessoa? Que bom, eu nunca li, mas se é poesia, deve ser bom. Gosta da Bíblia da esposa que ora? Sem problemas, o importante é sentir-se bem. Está lendo Crepúsculo? É bom, pois cativa os jovens...". Vivemos num tempo em que ninguém quer ser pedrinha no sapato de ninguém, e é natural que seja assim, afinal, isso dá prejuízo, não leva a nada e não faz ganhar nada. Cada um com os seus problemas. É tu na tua e eu na minha. Caminhando e cagabdo a turba segue.


Imagem: Josh Neuman

sábado, 28 de novembro de 2009

Sobre Paulo Coelho (II)






Em 2005 Paulo Coelho foi capa de três revistas de circulação nacional. Na mesma semana foi reportagem de capa do programa Fantástico, da Rede Globo. O curioso é que seus fãs garantem que isso tudo não é marketing - é reconhecimento pelo talento do mago. Sim, temos que ouvir essas baboseiras e aceitar como se aceita qualquer opinião. Tentar argumentar é inútil, pois toda e qualquer crítica é rebatida pelos fãs com a eterna falácia da inveja: "você tem inveja dele, por isso você critica!". Era só o que faltava, invejar um egocêntrico que se autodeclara "o maior intelectual do Brasil"!



Nosso alquimista da "literatura" anda meio quieto. Vamos ver quanto tempo demora para um novo golpe publicitário, ops... um novo reconhecimento pelo talento coelhano, que deve incluir a capa de duas ou três revistas, o Fantástico, o Jornal Nacional e talvez uma entrevista no programa da Ana Maria Braga (“tem coisas que o dinheiro não compra, para todas as outras...”). Isso tudo, como é de praxe, momentos antes do lançamento do último livro, que mesmo desconhecido, já será amado, elogiado e transformado em objeto de desejo pela imprensa semianalfabeta e interesseira, e seu respectivo público.
Com tamanha publicidade, até a mãe do Badanha faria sucesso...

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Sobre Paulo Coelho (I)

Comentário num fórum do Orkut:

"é mto melhor ler Joyce ou Kafka e não entender merda nenhuma do que ler a merda do PC e entender tudo..."


Hmm... nem só de merda vive o Orkut...

domingo, 1 de novembro de 2009

Halloween o caralho!!!

Só para lembrar: nós temos o "Dia do Saci"!
Daqui a pouco um gringo inventa o "dia de defecar nos calcanhares", e lá vamos nós...




segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Tinha que ser o Chaves...

Recentemente recebi um e-mail curioso intitulado "As coisas que aprendi assistindo o Chaves". A mensagem apresentava uma enorme lista e convidava o leitor a contribuir aumentando-a. Veja algumas:

* Seria muito melhor ter ido assistir o filme do Pelé.
* Jamais encoste em alguém que esteja tomando um choque.
* Pessoas bebem leite de burra.

* Existe uma fruta chamada tamarindo.
* "A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena"

* Sempre tem alguém que rouba as moedas das fontes dos desejos.

* Se ver uma caveira num frasco, não beba.
* A brasília já foi carro de luxo.
* Existe um lugar chamado Tangamandápio.

Bem nostálgico, não?

Depois de uma breve pesquisa no GoogleDeus, descobri que a lista é antiga e encontrei uma dúzia de páginas e blogs com conteúdo praticamente igual (é a magia do ctrl+C e ctrl+V); listando também o que se aprende assistindo Chapolin, como por exemplo, falar tchuim-tchuim-flum-flai em Libras ou retornar à Terra utilizando o código universal SBBHQK.

Deixando de lado a filosofia copy/paste, não tenho receio de afirmar que Chapolin e Chaves foram os melhores programas importados pela televisão brasileira até hoje. Em meio a constante enxurrada de enlatados americanos, esses heróis mexicanos continuam vivos no imaginário de muita gente. Ninguém se importa em assistir mais uma vez o mesmo episódio, pelo contrário, ficamos torcendo para passar novamente este ou aquele episódio preferido. Tamanho sucesso talvez tenha a ver com um conceito simples: identidade. O que esses malditos seriados estadunidenses - que mostram o drama da família média norte-americana - pretendem encontrar aqui? A família politicamente correta, com um vizinho negro, o patriarca-executivo, a esposa dedicada, dois filhos-modelo e dois carros na garagem de um universo fingidamente maravilhoso? A televisão brasileira fede e continuará fedendo enquanto não parar com essa mania de querer moldar-nos à imagem e semelhança daquele deus tão venerado por ela.

Enquanto isso, telespectadores do mundo todo, uni-vos (mesmo que em torno do inútil)!



Origem da imagem: http://rabiscofinal.blogspot.com/2008/12/crtica-social-x-vcio-em-chaves-chapolin.html


terça-feira, 18 de agosto de 2009

Não, não é por dinheiro!

Vejam o que eu recebi no painel do blogspot logo após publicar a postagem abaixo:

Não, não é uma questão de dinheiro... deve ser um sinal de Deus para que eu me converta!

sexta-feira, 31 de julho de 2009

A semente e a árvore

Há alguns anos, no tempo do Windows 95, já era moda nos cursinhos de informática baixar fotos de carros da internet e colocar na área de trabalho. Os mais espertinhos davam uma "photoshopada" na imagem de maneira a "rebaixar" o carro, pintar os vidros de preto e coisas assim.

Na falta de computador, recortava-se um carro de alguma revista velha, e com muita habilidade na tesoura e no estilete (e mais um bocadinho de cola Tenaz) e conseguia-se transformar um Del-Rey 89 em um furioso modelo futurista de 400 HPs (dias atrás descobri que ainda se faz dessas...).

Bem, a gurizada do tempo do ICQ e do disquete cresceu, e hoje não brinca mais com computadores e figurinhas. Brincam com seus carrinhos de gente grande. E divertem-se muito, trocam informações, vídeos e fotos no Orkut, brigam tentando provar que são melhores do que seus inimigos. De vez em quando juntam-se para fazer alguma coisa mais séria, como levar o filho ao médico, jogar futebol ou providenciar outro filho.

Correntes filosóficas contemporâneas garantem que a onda do "tuning" começou (ao menos no Brasil) com o lançamento do filme Velozes e Furiosos. Faz sentido, porém, jamais nos esqueçamos dos nossos heróis pioneiros, com seus estiletes afiados, contrariando o papai e a mamãe, rebaixando as imagens da revista Quatro Rodas.

Mas nem todas as sementes viram árvores. Tenho que admitir que também gostaria de "tunar" meu carro . Felizmente, tenho mais o que fazer. Mesmo assim, se eu tivesse grana e tempo para entrar na brincadeira, gostaria que ele ficasse mais ou menos assim:


Iria usar somente para passear no Centro aos domingos!

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Solo de flauta


Adoro isso. Um ou outro músico mais maluco se apropria do tempo e do espaço da banda e do público e simplesmente deixa rolar. Cinco minutos, dez minutos de pura surpresa. Nesse ambiente, cada segundo que passa tem uma intensidade incrível, pois você simplesmente não faz ideia do que irá acontecer ou de como aquilo vai acabar. É tenso, fica-se esperando pela "volta ao normal". É a quebra do prosaico. Mas há quem não goste...

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Falta de verba tira motocross de Carlos Barbosa - grande coisa

Máquinas, sujeira e barulho. Tal qual o meu trabalho. O trinômio máquina-sujeira-barulho faz parte da rotina de boa parte da população desta cidade altamente industrializada. Para quem não conhece, vale lembrar: aqui tem Tramontina, (também tem 'zero de analfabetismo', embora os resultados da Provinha Brasil, mas esse é outro assunto), logo, nada mais natural do que motocross. Máquinas, sujeira e barulho.

Mas não é isso o que traz incômodo. Carlos Barbosa esteve presente no calendário do motociclismo da lama por pelo menos seis anos, e para evitar atritos tenho sido fiel àquela velha máxima que diz que os incomodados devem retirar-se. Tenho me retirado pontualmente. O que provoca incômodo é a importância atribuída a tal evento. A verba aprovada (de trinta mil reais, o que já é um absurdo) não foi o bastante. Canoas investiu 150 paus para "roubar-nos" a etapa de motocross. Será que valeu a pena? Deveríamos fazer um pedágio na rótula de Santa Clara para esmolar o resto?

Conforme o jornal Contexto, o presidente da Associação Barbosense de Motociclismo, Cláudio Chies, afirma que a Administração "poderia ter resolvido a situação (...)", e conclui: "(...) eu não vou me estressar mais. Se não tem dinheiro não tem prova e pronto. Quem perde é a serra".

Noooossa!!! Quem perde é a serra!!! Uau!!! Mas... perde o quê?

Tchau motocas voadoras!

quarta-feira, 25 de março de 2009

Encenação da Paixão e Morte de Cristo - Fatos Reais

Está confirmado: 10 de abril às 16h.
Uma 'super produção' capaz de movimentar os mais de vinte mil habitantes-espectadores de Carlos Barbosa. Dá quase mais público do que filme do Homem-Aranha.

Dia dez de abril o barbosense irá vestir roupa bonita, irá à missa, perdoará o patrão, etc. Neste dia, poderemos encontrar pelo menos três gerações simultaneamente. Do velhinho à criancinha, todos estarão comovidos com o mesmo discurso precário, no qual alguns já não acreditam, mas obrigam seus filhos a acreditarem. Também se exorta as pessoas a participarem, atuarem como figurantes no evento. No final, todos serão exaltados, ufanados pelo povo. As minguadas críticas que nossa elite intelectual publicará dirão respeito ao calçado dos figurantes, que - onde já se viu - não poderia ser chinelo de dedo. Teria que ser sandália. De couro.

Deixemos de lado a hipocrisia. Eu mesmo já participei da encenação. Já fui 'soldado romano' (duas vezes) e também 'povo'. Sempre quis ser 'apóstolo', mas como a minha barba é muito ralinha, não foi possível. Mesmo assim, nos divertíamos muito. Até ateus podem se divertir com isso - os que têm estômago. Lembro-me de uma ocasião em que atuei como soldado. Nós aguardávamos escondidos a passagem de Jesus (depois da ceia, do julgamento e tals) para escoltarmos o dito cujo durante a subida do Calvário. Nesse ínterim, eis que surge uma garrafa de Del Grano. Um centurião convida-nos a beber enquanto aguardávamos o julgamento do Senhor. Bebemos muito. Reza a lenda que depois, na altura da primeira ou segunda queda, o centurião, emocionado com sua própria performance, acerta sem querer um relhaço no Cristo. Este grita (diferente de como gritava antes). O público delira. O centurião olha para nós, os soldados, e diz baixinho: "filha da puta, acertei Jesus."

Realmente muita coisa mudou em dois mil anos. Creio que os soldados romanos não trabalhavam semialcoolizados e nem se divertiam tanto. Também foi constatado que eles realmente não usavam chinelos de dedo, não blasfemavam, e como quer o Papa, não usavam preservativos.

Aos 'finalmentes':

Faz parte do nosso "jeito de viver" repetir atitudes sem sentido de forma cíclica. Só para ficar com alguns exemplos: Ano Novo, BBB, Carnaval, (...), Especial Roberto Carlos e Retrospectiva da Rede Globo. Essas coisas já devem estar no nosso DNA, ( talvez seja por isso que a Igreja Católica embirra tanto com questões abortivas e contraceptivas). Nada melhor do que encrustar quase que geneticamente padrões de condutas totalmente irracionais para manter as coisas "do jeito que estão". Nada pessoal, já que eu também tenho minha própria rotina diária de irracionalidades: trabalho, estudo, durmo, acordo, trabalho, estudo... Todos têm. É normal e real... De vez em quando quebro minha rotina me misturando às pessoas para participar ou assistir à encenação da Paixão de Cristo. Afinal, são fatos normais. Fatos reais.